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Carol Neves
Publicado em 1 de março de 2026 às 12:26
A confirmação da morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, desencadeou uma onda de protestos neste domingo (data não informada) em diferentes países do Oriente Médio e do sul da Ásia. Em cidades como Bagdá, no Iraque, e Karachi, no Paquistão, manifestantes se concentraram diante de instalações ligadas aos Estados Unidos. Os confrontos deixaram ao menos nove mortos e dezenas de feridos, ampliando o clima de instabilidade na região. >
Em Karachi, centenas de jovens avançaram contra o consulado americano e tentaram invadir o complexo diplomático. A polícia reagiu com gás lacrimogêneo para dispersar a multidão. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram vidraças quebradas no prédio principal, enquanto a bandeira dos Estados Unidos permanecia hasteada no local, cercado por arame farpado.>
De acordo com a emissora Al-Jazeera, do Catar, pelo menos nove pessoas morreram em confronto com agentes de segurança, e outras 20 ficaram feridas. Durante os protestos, manifestantes entoaram palavras de ordem e falaram em vingança pela morte do líder iraniano. Em um dos vídeos que circulam online, um participante afirma que o grupo pretendia atear fogo ao edifício. Há expectativa de novos atos ao longo do dia.>
Além de Karachi, protestos também foram registrados em outras cidades do Paquistão, como Lahore, onde milhares de pessoas ocuparam as ruas em manifestações contra os Estados Unidos.>
Quem era Ali Khamenei
Pressão na Zona Verde de Bagdá>
No Iraque, os atos se concentraram nas proximidades da Zona Verde de Bagdá, área fortemente protegida que abriga prédios governamentais e embaixadas estrangeiras, incluindo a americana. Desde as primeiras horas do dia, centenas de manifestantes se reuniram no entorno da região.>
Repórteres da AFP relataram forte esquema de segurança e bloqueios nas entradas da área. Ainda assim, grupos tentaram avançar em direção ao complexo diplomático, arremessando pedras contra as forças de segurança, que responderam novamente com gás lacrimogêneo.>
Um jovem identificado apenas como Ali declarou à AFP que a morte de Khamenei “feriu” muitos na região e que o objetivo do protesto era exigir a retirada das tropas americanas do território iraquiano. Segundo uma fonte de segurança ouvida pela agência, as tentativas de invasão foram contidas até o momento, embora os manifestantes seguissem pressionando as barreiras.>
Escalada militar>
As manifestações ocorreram um dia após uma ofensiva militar atribuída aos Estados Unidos e a Israel contra alvos em território iraniano. A imprensa estatal do Irã confirmou no sábado a morte de Khamenei e anunciou luto nacional de 40 dias.>
Antes da confirmação oficial, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já havia afirmado que o líder iraniano estava morto, classificando o momento como uma oportunidade para que os iranianos “recuperem seu país”. Em publicações na rede Truth Social, ele elogiou a cooperação com Israel e prometeu manter os bombardeios “pelo tempo que for necessário”.>
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, também declarou haver “fortes indícios” da morte do líder iraniano após um ataque surpresa contra um complexo em Teerã. Segundo ele, a ação atingiu comandantes da Guarda Revolucionária e outras autoridades do regime.>
A ofensiva é considerada uma das maiores escaladas militares recentes na região. Explosões foram registradas em Teerã e em outras cidades iranianas, enquanto o Irã respondeu com mísseis contra Israel. Países vizinhos fecharam seus espaços aéreos, e missões diplomáticas americanas no Golfo orientaram cidadãos a buscar abrigo.>