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Feminicídios com arma de fogo crescem 83% em Salvador e RMS em 2025

Dados são de levantamento do Instituto Fogo Cruzado

  • Foto do(a) author(a) Maria Raquel Brito
  • Maria Raquel Brito

Publicado em 6 de janeiro de 2026 às 05:30

Homem segurando arma de fogo
Homem segurando arma de fogo Crédito: Shutterstock

No dia 22 de novembro de 2025, a jovem Rayane Barreto Marques dos Santos, de apenas 20 anos, foi morta a tiros em um apartamento na Lagoa da Paixão, localizada no bairro de Valéria, em Salvador. O autor do crime foi alguém próximo: o próprio namorado.

Rayane entrou para a triste estatística de mulheres mortas por disparos de arma de fogo este ano em Salvador e Região Metropolitana. De acordo com um levantamento do Instituto Fogo Cruzado, foram 11 vítimas em 2025, 83.3% a mais que em 2024, quando quatro mulheres foram executadas a tiros e duas ficaram feridas em tentativas de feminicídio na capital baiana e nas cidades vizinhas.

Mulher é atraída para emboscada e morta por Redes sociais

“Esse número evidencia que as mulheres estão cada vez mais expostas à violência armada, não só na Bahia, mas em todo o Brasil. Importante destacar que os dados evidenciavam essa alta desde o meio do ano. Nós, inclusive, alertamos sobre o assunto. Em 2024, a região metropolitana de Salvador registrou seis feminicídios. Em 2025 registramos quase o dobro de casos”, diz Tailane Muniz, Coordenadora Regional do Instituto Fogo Cruzado na Bahia.

Em todo o Brasil, o número de feminicídios e tentativas de feminicídio praticados com arma de fogo cresceu 52% em 2025. O levantamento mostra que ao menos 50 mulheres cis e trans foram vítimas desse tipo de violência nos 57 municípios das regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Recife, Salvador e Belém, enquanto, em 2024, foram 33 casos.

Entre essas vítimas estava também Maria Cláudia da Conceição, morta a tiros na Rua Francisco Drumond, no Parque Verde, em Camaçari, no dia 26 de maio, menos de um mês depois da vítima obter uma medida protetiva contra Ladislau de Jesus Conceição, autor do crime. De acordo com o processo que corria contra o feminicida, ele foi preso em flagrante por ameaçar Maria Cláudia de morte por não aceitar o fim do relacionamento entre eles.

undefined por TJ-BA

De acordo com Tailane, um dos fatores que podem ser relacionados ao aumento preocupante nos feminicídios cometidos por arma de fogo é a facilitação do acesso a armas de fogo nos últimos anos. “Entre 2019 e 2022, vivemos uma flexibilização significativa das normas de controle de armas no país, com a ampliação do Cadastro de Atiradores e Caçadores (CAC) e o aumento expressivo no número de armas em circulação. A Bahia segue essa tendência”, diz.

Outro ponto importante é a origem desses disparos: em média, um a cada quatro casos de feminicídios com arma de fogo em 2025 – nas quatro regiões metropolitanas contempladas pelo Fogo Cruzado – foi cometido por agente de segurança. Ao todo, 12 casos do tipo foram registrados no ano. Número maior que o registrado em 2024, quando oito feminicídios ou tentativas foram praticados por agentes de segurança do estado.

Na RMS, um feminicídio cometido por agente em 2025. A série histórica, que vai de 1º de julho de 2022 até 31 de dezembro de 2025, registrou quatro casos semelhantes na região.

“Agentes de segurança têm acesso às armas de fogo sobretudo no exercício de sua função, mas esse acesso vem frequentemente desacompanhado de mecanismos efetivos de controle, fiscalização e responsabilização. Não há monitoramento adequado sobre o uso dessas armas fora do horário de serviço, nem protocolos rigorosos para recolhimento de armamento em casos de denúncias de violência doméstica ou sinais de comportamento violento”, ressalta Tailane.

Segundo a coordenadora do Fogo Cruzado, isso se agrava quando consideramos a cultura institucional que muitas vezes protege agentes mesmo diante de denúncias. “Mulheres que sofrem violência de parceiros ou ex-parceiros agentes de segurança enfrentam barreiras adicionais para denunciar, temendo que o agressor use sua posição para intimidá-las”, diz. “É fundamental implementar protocolos que incluam o recolhimento imediato de armas de agentes de segurança denunciados por violência doméstica, avaliações psicológicas periódicas e obrigatórias, e um sistema efetivo de controle externo que investigue e responsabilize esses casos. O acesso à arma não pode ser um privilégio que se transforma em instrumento de morte para mulheres.”

Para que os índices de violência armada contra mulheres seja reduzido, Tailane defende que é necessário que sejam planejadas políticas públicas a partir de dados e evidências. Ela afirma que as medidas precisam considerar informações como a alta participação de agentes de segurança nos feminicídios cometidos no país.

"É essencial a manutenção de controles rigorosos sobre a circulação de armas de fogo no país, considerando as normas que facilitaram o acesso a armas nos últimos anos, além de mecanismos efetivos de rastreamento e fiscalização do arsenal em circulação. Criar protocolos específicos para agentes de segurança: recolhimento imediato de armas mediante denúncia de violência doméstica, avaliações psicológicas periódicas obrigatórias, e sistemas de controle externo que investiguem e responsabilizem casos de violência de gênero cometidos por membros das forças de segurança", pontua.

O CORREIO solicitou à Polícia Civil os dados de feminicídios cometidos com arma de fogo registrados em toda a Bahia, mas a instituição afirmou que precisaria de até sete dias para enviar as informações, a partir desta segunda-feira (5).