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Nauan Sacramento
Publicado em 9 de fevereiro de 2026 às 17:39
O Bloco Alvorada, pioneiro do samba no Carnaval de Salvador, levará para a avenida em 2026 uma celebração que une ancestralidade e renovação. Com o tema “Nengua Guanguacese: 100 anos de mar, folha e fé”, o ato homenageia o centenário de nascimento de Dona Olga Conceição Cruz, Ialorixá do candomblé Angola e líder do Terreiro Bate Folha, o primeiro do país tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). >
Nascida em 17 de março de 1925 e falecida em 2023, Mãe Olga dedicou 74 anos ao sacerdócio. O desfile do Alvorada propõe um rito de reverência à trajetória da líder religiosa, conectando o sagrado dos terreiros ao samba popular. A grande novidade para a folia de 2026 é a integração do movimento Banjo Novo ao desfile. >
O grupo vai representar a nova geração do samba urbano e a conexão com o público jovem, simbolizando a continuidade do gênero através da reinvenção. "O samba só existe porque passa de mão em mão. Quando a juventude chega, ela não apaga a história, ela amplia", afirma Vadinho França, presidente e fundador do bloco.>
A ala de canto será composta por nomes como Bira (Negros de Fé), Arnaldo Rafael e Marco Poca Olho, além de participações especiais de Marquinho Sensação, Renato da Rocinha e Roberto Mendes. >
A proposta é manter a identidade do "samba de raiz" enquanto abre espaço para novas linguagens e arranjos. O cortejo, marcado pelo uso do branco, conta com o patrocínio do Governo do Estado da Bahia, via Bahiagás e Programa Ouro Negro.>
Fundado em 1975 por estudantes do Colégio Severino Vieira, no bairro do Gravatá, o Alvorada foi o responsável por inaugurar a sexta-feira como o dia oficial do samba no Carnaval soteropolitano. Além do desfile, a instituição mantém atividades permanentes como a Feira de Empreendedores Negros e ações sociais ligadas ao Terreiro Bate Folha.>
Para o desfile deste ano, o bloco mantém seus elementos clássicos: o galo de três metros de altura que abre o cortejo, a ala das baianas e as passistas, reafirmando seu papel como guardião da memória do samba baiano e da resistência das religiões de matriz africana.>
O projeto Correio Folia é uma realização do Jornal Correio com apoio institucional da Prefeitura Municipal de Salvador. >