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Agência Correio
Publicado em 29 de janeiro de 2026 às 13:00
As relações de poder entre nações deixam marcas que duram séculos no vocabulário cotidiano. A expressão república das bananas é um exemplo claro dessa herança colonial persistente. >
A dinâmica de dominação envolvia o uso de empresas privadas como braços do governo dos Estados Unidos. Essas companhias funcionavam como intermediárias para garantir interesses estratégicos em solo estrangeiro.>
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Por meio desse sistema, Washington apoiava governos aliados e trabalhava ativamente para remover opositores. O controle econômico abria caminho para manipulações políticas profundas e violentas na região.>
Um dos casos mais emblemáticos dessa política ocorreu na Guatemala durante a década de 1950. O presidente Jacobo Arbenz, eleito democraticamente, tentou realizar reformas que afetavam a United Fruit Company.>
A interferência direta em terras da UFC gerou uma reação imediata do governo norte-americano. Como resultado, Arbenz sofreu um golpe de Estado em 1954, com apoio explícito dos Estados Unidos.>
Para substituir o líder democrático, as potências instauraram um regime ditatorial no país. Esse movimento visava proteger os lucros da bananeira estadunidense e manter o controle sobre o território.>
Dessa forma, a democracia foi sacrificada em nome dos interesses corporativos estrangeiros. A Guatemala tornou-se, na prática, o modelo do que o mundo passaria a chamar de república das bananas.>
A história colonial por trás do termo revela uma face obscura da política internacional. A soberania das nações latino-americanas era frequentemente violada para garantir o fluxo de mercadorias baratas.>
Além disso, essa prática criou um ciclo de instabilidade que perdurou por gerações inteiras. O apoio a ditaduras em troca de favores comerciais destruiu instituições e atrasou o desenvolvimento social regional.>
Nesse contexto, a expressão não descreve apenas uma economia baseada em frutas, mas um sistema de opressão. Ela simboliza a resistência de povos que lutaram contra a interferência externa em suas leis.>
Portanto, entender o golpe na Guatemala é essencial para desmistificar o uso leviano do termo hoje. A corrupção e o fracasso estatal citados muitas vezes foram subprodutos de intervenções planejadas fora.>
Consequentemente, ao usar essa frase, lembramos um período de submissão forçada aos interesses de grandes corporações. A história da Guatemala permanece como um lembrete vivo dessa era de dominação.>