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Agência Correio
Publicado em 14 de janeiro de 2026 às 09:00
A forma como uma geração cresce deixa marcas. Para psicólogos, quem passou a infância e a adolescência nas décadas de 60 e 70 foi “educado” por um ambiente com menos distrações digitais e mais convivência direta, o que fortaleceu certas competências mentais. >
Esse cenário ajudou a treinar resiliência, paciência e autonomia. Hoje, com estímulos constantes e recompensas imediatas, essas qualidades aparecem com menos frequência, o que chama a atenção de pesquisadores e profissionais.>
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Por isso, ao olhar para aquela época, psicólogos destacam oito pontos recorrentes. A lista não idealiza o passado, mas explica como o contexto cotidiano pode influenciar foco, regulação emocional e capacidade de resolver desafios.>
Sem múltiplas telas disputando atenção, era mais comum ficar concentrado por longos períodos. Assim, ler um livro inteiro, estudar sem interrupção e terminar uma tarefa viravam hábitos, não exceções.>
Como resultado, a pessoa aprendia a administrar distrações e a persistir. Isso tende a apoiar memória e raciocínio, além de reduzir a frustração quando algo exige tempo para dar certo.>
O consumo era mais contido e a substituição de objetos não fazia parte da rotina. Desse modo, satisfação dependia menos de “ter sempre mais” e mais de aproveitar o que já estava disponível.>
Além disso, a comparação social tinha menos combustível. Com menos vitrines digitais, as decisões de compra e estilo de vida sofriam menos pressão, o que favorecia estabilidade emocional e senso de suficiência.>
Nem tudo era resolvido imediatamente, e isso ensinava a conviver com pequenos desconfortos. Por isso, era comum manter a calma, avaliar opções e agir com mais paciência diante de contratempos.>
Consequentemente, a regulação emocional ficava mais consistente. A pessoa não interpretava qualquer incômodo como crise, o que ajuda a tomar decisões com menos impulsividade e mais clareza.>
O cotidiano reforçava que o resultado costuma nascer do esforço repetido. Assim, estudar, trabalhar e persistir eram vistos como ações que realmente mudam a trajetória, em vez de depender apenas de sorte.>
Ao mesmo tempo, isso alimentava autonomia e responsabilidade. Quando o progresso vinha, ele era associado ao próprio empenho, o que fortalece confiança e disposição para enfrentar desafios maiores.>
Planejar e aguardar fazia parte de quase tudo. Desse modo, a gratificação vinha depois: juntar dinheiro, organizar uma compra ou conquistar um objetivo envolvia tempo e paciência, não apenas um clique.>
Por isso, a tolerância à frustração ficava mais treinada. A pessoa aprendia a sustentar metas e a evitar decisões apressadas, porque entendia que alguns ganhos só chegam com processo.>
Boa parte dos conflitos era resolvida cara a cara. Assim, o treino de diálogo incluía ouvir, responder, negociar e sustentar o desconforto do assunto sem “se esconder” atrás de uma tela.>
Além disso, esse modelo fortalece empatia e assertividade. A leitura de sinais sociais, como expressão e tom de voz, ajuda a reduzir ruídos e a construir acordos com mais rapidez.>
Muitas pessoas dessa geração desenvolveram o hábito de não decidir no calor do momento. Por isso, respirar, pensar e escolher com mais frieza virava uma estratégia prática para evitar arrependimentos.>
Consequentemente, decisões importantes ficavam menos reativas. Esse filtro protege contra impulsos, evita conflitos desnecessários e favorece escolhas alinhadas com objetivos, mesmo quando o ambiente está intenso.>
Resolver problemas exigia tentativa e erro com recursos limitados. Assim, a pessoa experimentava, falhava, aprendia e refinava a solução, construindo competência na prática, e não por instruções prontas.>
Como resultado, a autoconfiança se fortalecia. A sensação de “eu consigo dar um jeito” cresce quando o aprendizado vem da superação, o que também aumenta tolerância ao fracasso e persistência.>
- atenção sustentada>
- expectativas moderadas>
- tolerância ao desconforto>
- valorização do esforço>
- paciência com recompensas>
- conflito resolvido presencialmente>
- decisão com regulação emocional>
- resiliência por tentativa e erro>