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Fernanda Varela
Publicado em 25 de janeiro de 2026 às 07:01
Uma sequência de mortes envolvendo fisiculturistas famosos no início de 2026 tem chamado atenção e alertado para debates sobre os riscos do esporte praticado em nível extremo. Em poucas semanas, atletas de diferentes idades e países morreram por causas diversas, mas com um ponto em comum, a sobrecarga intensa imposta ao corpo.>
O caso mais recente é o do italiano Andrea Lorini, de 48 anos, encontrado morto em casa, na cidade de Chiari, após sofrer uma parada cardíaca. Conhecido como “O Gigante”, ele era um dos principais nomes do fisiculturismo na Itália antes da pandemia e havia conquistado o terceiro lugar no campeonato nacional em 2017 e 2019. A família optou por não autorizar a realização de autópsia.>
Fisiculturismo
No Brasil, duas mortes em menos de dez dias também causaram comoção no meio fitness. Kevin Notário Nunes morreu em 5 de janeiro, aos 28 anos, após uma infecção bacteriana necrosante. Já Arlindo de Souza, conhecido como Popeye brasileiro, faleceu em 14 de janeiro, aos 55 anos, vítima de insuficiência renal aguda, após anos de uso de injeções de óleo mineral para fins estéticos.>
Embora os casos tenham causas distintas, especialistas apontam que o fisiculturismo competitivo costuma impor um estresse fisiológico elevado, principalmente ao coração, rins e fígado. A busca por ganhos rápidos de massa muscular, definição extrema e manutenção de padrões estéticos rígidos pode envolver práticas que colocam a saúde em risco.>
No Brasil, entidades médicas e pesquisadores também fazem alertas semelhantes. O Conselho Federal de Medicina já se posicionou publicamente contra o uso de esteroides anabolizantes e hormônios para fins estéticos ou de performance, justamente pelos riscos cardiovasculares, hepáticos e renais associados a essas práticas. Estudos conduzidos por universidades brasileiras apontam que a busca por transformação corporal acelerada, comum no fisiculturismo competitivo, pode sobrecarregar o organismo e provocar danos graves à saúde, mesmo em atletas com aparência forte e alto nível de condicionamento físico, reforçando que estética muscular não é sinônimo de bem-estar ou proteção contra doenças.>
Outro caso que voltou a repercutir recentemente foi o da fisiculturista norte-americana Hayley McNeff, que morreu aos 37 anos, em agosto do ano passado, nos Estados Unidos. A causa da morte foi divulgada apenas neste mês e classificada como acidental pelas autoridades, após a constatação de uma overdose provocada pela combinação de várias substâncias. O laudo descartou indícios de violência.>
Hayley havia se destacado no fisiculturismo americano nos anos 2000, com título no East Coast Classic, em 2009, e participou do documentário Raising The Bar, lançado em 2016. Após se afastar das competições, passou a se dedicar a outras práticas esportivas.>
Para profissionais da área da saúde, a sequência de mortes não pode ser tratada como coincidência isolada, mas também não deve resultar na demonização do esporte. O alerta está na necessidade de acompanhamento médico rigoroso, informação de qualidade e limites claros, especialmente em modalidades que envolvem transformação corporal extrema.>
Enquanto homenagens se multiplicam nas redes sociais, os casos recentes expõem um debate incômodo, mas necessário, até que ponto a busca pelo corpo perfeito pode custar a própria vida.>