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Agência Correio
Publicado em 29 de janeiro de 2026 às 11:00
À medida que o fim da vida se aproxima, o número de medicamentos deveria diminuir. No entanto, um estudo japonês mostra que idosos com câncer continuam tomando remédios sem benefício clínico até o último mês. >
A análise envolveu mais de mil pacientes idosos e aponta entraves na adoção da desprescrição.>
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Em vez de simplificação, o que se vê são rotinas complexas e cansativas. Para muitos idosos com câncer avançado, a lista de medicamentos segue extensa, mesmo quando os efeitos positivos já não existem.>
O levantamento foi conduzido pela Universidade de Tsukuba e analisou dados de 1.269 pacientes com câncer avançado. Todos tinham 65 anos ou mais e faleceram entre 2017 e 2023.>
Seis meses antes da morte, 77% utilizavam ao menos um medicamento potencialmente inadequado. Um mês antes do óbito, o percentual ainda permanecia elevado, alcançando 70%.>
Os números indicam que a retirada de tratamentos não acompanha a mudança de objetivos terapêuticos, mesmo quando a expectativa de vida é limitada.>
Cada paciente utilizava, em média, sete medicamentos por dia. Em cenários avançados da doença, terapias preventivas perdem sentido e podem causar mais prejuízos do que benefícios.>
Entre os remédios mais frequentemente descontinuados estavam estatinas, anti-hipertensivos, antidiabéticos orais e antiplaquetários. Vitaminas e medicamentos para osteoporose também apareciam na lista.>
Esses tratamentos são indicados para prevenir complicações a longo prazo, o que se torna irrelevante quando o foco passa a ser conforto e controle de sintomas.>
Pesquisas realizadas na França apontam resultados parecidos. Um estudo com idosos com câncer de pulmão metastático encontrou média de seis medicamentos diários, excluindo os oncológicos.>
A maioria apresentava polifarmácia, além de prescrições inadequadas e interações medicamentosas relevantes. Ajustes eram frequentes após avaliações farmacêuticas.>
Os dados sugerem que a revisão das prescrições poderia ocorrer mais cedo, reduzindo riscos e melhorando a qualidade de vida.>
No estudo japonês, a suspensão de medicamentos foi mais comum em pacientes hospitalizados e em cuidados paliativos. A presença dessas equipes fez diferença na revisão das prescrições.>
Mulheres e pacientes com múltiplas doenças associadas também tiveram maior chance de desprescrição. Ainda assim, os índices permanecem altos.>
Mesmo no último mês de vida, mais de 70% mantinham medicamentos sem benefício. Especialistas defendem protocolos mais claros para garantir cuidados mais alinhados ao fim da vida.>