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Fernanda Varela
Publicado em 4 de janeiro de 2026 às 10:12
A origem da vida na Terra segue como uma das grandes perguntas da ciência. Embora existam várias teorias sobre como a química teria evoluído para a biologia, ainda não há consenso sobre quando e como surgiram as primeiras formas de vida. Nesse debate, uma hipótese volta e meia chama atenção, a de que a vida terrestre pode ter começado fora do nosso planeta, mais especificamente em Marte.>
A ideia parte do princípio de que o Marte primitivo teria sido mais hospitaleiro do que a Terra em seus primeiros milhões de anos. O planeta vermelho se formou há cerca de 4,6 bilhões de anos, um pouco antes da Terra, que tem cerca de 4,54 bilhões de anos. Ambos passaram por fases iniciais extremamente quentes, com superfícies derretidas, antes de se tornarem sólidos.>
Marte
Pesquisas indicam que Marte pode ter tido água líquida, atmosfera mais espessa e atividade geotérmica, com rios, lagos e até oceanos. Essas condições são consideradas favoráveis ao surgimento da vida microbiana. Enquanto isso, a Terra passou por um evento extremo, a colisão com um corpo do tamanho de Marte, conhecido como Theia, que deu origem à Lua. Esse impacto teria derretido novamente a superfície terrestre, o que dificulta a sobrevivência de qualquer forma de vida que já existisse por aqui naquele momento.>
Por não ter passado por um evento de refusão global semelhante, Marte pode ter mantido regiões estáveis por centenas de milhões de anos. Segundo essa hipótese, microrganismos teriam surgido ali e, mais tarde, sido lançados ao espaço por impactos de asteroides, viajando até a Terra dentro de meteoritos.>
Um dos pontos centrais do debate é o tempo. Estudos recentes sugerem que o último ancestral comum universal, conhecido como Luca, já existia na Terra há cerca de 4,2 bilhões de anos. Isso significa que a vida teria surgido relativamente rápido após a formação do planeta e o impacto que originou a Lua. Para alguns cientistas, esse intervalo de cerca de 290 milhões de anos seria suficiente para que a vida tivesse se originado aqui mesmo, sem necessidade de uma origem extraterrestre.>
Outro obstáculo à hipótese marciana é a sobrevivência durante a viagem espacial. Microrganismos precisariam resistir ao impacto em Marte, à ejeção violenta para o espaço, à exposição prolongada à radiação cósmica e, depois, à entrada na atmosfera terrestre e a um novo impacto. Embora existam estudos e simulações sugerindo que formas de vida extremamente resistentes poderiam sobreviver protegidas no interior de meteoritos, essa sequência de eventos é considerada improvável por muitos pesquisadores.>
Além disso, não há indícios genéticos de que Luca tivesse adaptações específicas para suportar viagens espaciais. A maioria das evidências aponta que ele vivia em ambientes como fontes hidrotermais, comuns na Terra primitiva e compatíveis com teorias clássicas da origem da vida.>
Por isso, embora a hipótese de uma origem marciana continue fascinando cientistas e o público, ela não é a mais aceita atualmente. Para muitos pesquisadores, é mais plausível que a vida tenha surgido na própria Terra, mesmo diante das dificuldades químicas envolvidas, do que imaginar uma longa e bem-sucedida migração interplanetária.>
A discussão segue aberta, alimentada por novas descobertas sobre Marte, inclusive missões da NASA, que buscam sinais de que o planeta já foi habitável. A matéria foi publicada originalmente pelo The Conversation Brasil.>