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Fernanda Varela
Publicado em 3 de janeiro de 2026 às 15:01
Aos 27 anos, Thalita Souza precisou enfrentar uma perda para a qual não estava preparada. Casada desde 2021 com Patrick, com quem viveu uma relação intensa marcada por viagens, rotina compartilhada e muitos planos, ela se tornou viúva de forma repentina em 2025. O marido morreu poucas semanas após ser diagnosticado com uma infecção generalizada.>
Em depoimento à revista Marie Claire, Thalita relembra o início da história do casal, que começou em 2016, após um encontro em comum com amigos. “Quando a gente se juntou, nos apaixonamos e ficamos inseparáveis. Ele virou meu namorado e também meu melhor amigo”, contou. Juntos, eles mantinham uma rotina ativa, frequentavam a igreja e chegaram a fazer dois mochilões pela América Latina.>
Thalita Souza
O casamento veio cinco anos depois, com um pedido planejado por Patrick durante um jantar. “Eu imaginava que esse momento chegaria, mas não deixou de ser especial”, relatou. Segundo ela, a relação não mudou após a cerimônia. “Diariamente, a gente demonstrava por gestos, ações e palavras todo o amor que sentíamos. Não sinto saudade do que deixamos de viver, mas do que a gente tinha”, disse.>
A tragédia aconteceu de forma inesperada. Patrick, que cuidava da saúde e praticava atividades físicas, passou mal repentinamente, foi internado e diagnosticado com uma infecção generalizada. Ele foi levado para a UTI, entubado e morreu cerca de uma semana depois. “Foi rápido, confuso e avassalador. Tirou o chão de toda a família e dos amigos”, afirmou Thalita.>
Segundo ela, o mais difícil tem sido lidar com a própria condição de viúva tão jovem. “Não consigo acreditar que me tornei viúva aos 27 anos. Não era um peso que eu estava preparada para suportar”, desabafou. Dois meses após a perda, Thalita diz que precisou reaprender a viver. “É como se tudo tivesse sido tirado de mim do dia para a noite”, relatou.>
O apoio de amigos e familiares tem sido fundamental nesse processo. “Eles trazem comida, ajudam com questões burocráticas e até com sessões de terapia. Esses cuidados me fizeram perceber que eu precisava continuar”, contou.>
Foi nesse contexto que Thalita decidiu usar as redes sociais para falar sobre Patrick. Sem intenção de ganhar visibilidade, ela passou a publicar lembranças e homenagens ao marido. “Foi uma forma de honrar a memória dele, do amigo, do filho e do marido incrível que ele era”, explicou.>
Os relatos começaram a alcançar pessoas fora do círculo pessoal e, entre elas, outras jovens viúvas. “Passei a receber mensagens de mulheres que estavam vivendo a mesma dor. Criamos uma troca muito especial, de apoio e pertencimento”, afirmou.>
Para Thalita, esse contato ampliou sua rede de acolhimento e ajudou a ressignificar o luto. “A gente se sente compreendida. Tem quem entenda exatamente o que estamos passando”, disse. A própria psicóloga dela percebeu os efeitos positivos desse diálogo.>
Apesar de ainda não encontrar sentido na perda, Thalita acredita que compartilhar sua experiência tem ajudado a atravessar o processo. “Ainda não vejo propósito na morte do Patrick, mas sinto que posso encontrar algum sentido enquanto ajudo outras meninas que vivem essa dor”, concluiu.>