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Pedro Carreiro
Publicado em 7 de março de 2026 às 21:50
Rogério Ceni saiu do gramado satisfeito com a reação da equipe, mas ciente de que o triunfo por 2x1 sobre o Vitória, na Arena Fonte Nova, teve mais de superação do que de espetáculo. Mesmo com a conquista do 52º título estadual do clube, o técnico destacou que o time entrou tenso e demorou a encontrar o ritmo, algo que cobrou na etapa inicial e corrigiu no segundo tempo com alterações táticas. >
“Acho que estávamos um pouco nervosos. Não conseguimos ter a construção de jogo feita como a gente normalmente pratica. A ausência de alguns atletas contribuiu para cair um pouquinho nessa construção O Vitória também marcou bem e fez um bom primeiro tempo. Acho que, até pelo momento de falta de confiança, nós faltamos um pouco de confiança no jogo e fizemos um primeiro tempo abaixo daquilo que a gente joga”, analisou o treinador tricolor em coletiva.>
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Uma das chaves para a mudança de postura na segunda etapa foram as alterações no intervalo. Ao trocar Román Gómez e Ademir por Erick e Kike Oliveira, o treinador reposicionou Acevedo na lateral direita, mudança que, na sua leitura, deu outra cara ao Bahia.>
“A maneira que eu imaginei para construir era o Nico fazendo esse terceiro homem e depois os dois atacantes, com ele, Erick e Juba, com cinco homens de frente para tentar empurrar o Vitória para o seu campo de defesa e tentar construir melhor as jogadas. A entrada do Erick no lugar dele e o Niko no meio foi mais ou menos troca por troca, mas o Nico hoje fez uma partida espetacular, jogando na construção, só que pelo lado do campo. Eu imaginava que nós teríamos a bola no segundo tempo e nós precisávamos construir melhor do que no primeiro”, explicou Ceni.>
Com a conquista, Ceni se torna bicampeão baiano consecutivo com o Bahia e ergue sua terceira taça pelo clube, contando também a Copa do Nordeste do ano passado. Em meio às conquistas recentes, o treinador tratou o novo título como algo significativo não só para si, mas também para o elenco, especialmente para jogadores em diferentes momentos da carreira.>
“São poucas finais que você faz na vida e você tem que aproveitar sempre a oportunidade. Quando você chega numa final, ano passado nós tivemos duas finais e ganhamos as duas, este ano ganhamos o Campeonato Baiano, e só há mais uma possibilidade de fazer uma final em torneio mata-mata [Copa do Brasil]. Quando a vida lhe dá essas oportunidades, você não pode desperdiçar. Para aqueles que são mais velhos, que já estão quase no final da carreira, é muito importante acumular mais uma taça, porque a gente é lembrado pelos títulos. E os mais jovens têm que aproveitar desde o começo para tentar vencer e ganhar títulos”, destacou o treinador.>
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Apesar da alegria pela conquista, Ceni não escondeu a decepção pela eliminação precoce na Libertadores, mas deixou claro que o grupo precisa virar a página e focar no restante da temporada.>
“É um pecado. Pela rota traçada desde o começo do ano, é um pecado ter saído da Copa Libertadores, mas nós não podemos ficar lamentando para o resto da vida. A vida é feita de continuar. Perder faz parte; desistir não deve fazer parte. Vamos continuar, tentar sempre fazer o nosso melhor. O torcedor, quando joga junto da gente, é sempre especial, é o que faz a diferença aqui na nossa casa”, afirmou.>
Já projetando o “segundo round” contra o Vitória, marcado para quarta-feira (11), Ceni falou sobre a necessidade de rodar o elenco e recuperar atletas para manter o bom momento, diminuir o desgaste físico e seguir brigando na parte de cima da tabela do Campeonato Brasileiro — atualmente o Bahia ocupa a quarta posição da Série A, com sete pontos, três a menos que os líderes Palmeiras e São Paulo.>
“Amanhã eles [jogadores] descansam e nós [comissão técnica] começamos a analisar um pouco do jogo. Temos segunda e terça para trabalhar essa equipe e fazer mudanças. Nada impede que a gente faça trocas dependendo do nível de cansaço. O Jean Lucas e o Everton acabaram muito cansados. Quem sabe o Michel Araújo, que já treinou ontem com a gente, com mais dois treinamentos, possa estar presente também. Enfim, é um grupo que vai ter que se ajudar”, projetou.>