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Pedro Carreiro
Publicado em 30 de agosto de 2025 às 11:00
Poucas pessoas conhecem e são tão identificadas com o Vitória quanto Rodrigo Chagas. Revelado pelo clube, ele é considerado por muitos o maior lateral-direito da história do Leão da Barra. Além da carreira como jogador, já atuou como treinador em praticamente todas as categorias da base rubro-negra, consolidando sua ligação com a instituição. >
Agora, em sua sexta passagem pelo clube, a terceira como técnico, Rodrigo estava no comando da equipe sub-20 quando foi chamado para assumir interinamente o time principal após a demissão de Fábio Carille. Torcedor declarado do Vitória, não recusou a missão e garantiu que fará de tudo para ajudar o clube a sair da delicada situação em que se encontra.>
“Para falar a verdade, eu não queria estar aqui neste momento, eu queria o Vitória brigando por Libertadores e Sul-Americana. Mas os profissionais da área têm que estar preparados para, quando solicitados, fazer o melhor. Essa é minha ideia. Tenho o DNA do clube, vou trabalhar para fazer com que o Vitória retorne com grandes jogos, grandes resultados”, afirmou em sua coletiva de apresentação.>
Quarta sessão de treino do Vitória sob as ordens de Rodrigo Chagas
Nascido no Rio de Janeiro, Rodrigo chegou ao Vitória em 1992, aos 19 anos, quando deixou a base do Bahia para treinar no Barradão. Ainda nos juniores, chamou a atenção do então técnico João Francisco, que lhe deu as primeiras oportunidades no Campeonato Baiano daquele ano, disputado no segundo semestre e conquistado pelo Leão. >
O lateral, no entanto, entraria definitivamente para a história rubro-negra em 1993. Tornou-se titular absoluto e um dos destaques da equipe que recebeu o apelido de “brinquedo assassino” e chegou à final do Campeonato Brasileiro. Ao lado de Dida, Vampeta, Paulo Isidoro, Alex Alves e outros jovens talentos, ajudou a consolidar a imagem do Vitória como uma verdadeira fábrica de craques.>
Em julho de 1995, após 53 partidas pelo clube, Rodrigo e Ramon Menezes foram vendidos ao Bayer Leverkusen, da Alemanha, por 2 milhões de dólares, valor que, corrigido pela inflação, ultrapassa os R$ 20 milhões atuais. De acordo com Paulo Carneiro, presidente do Vitória na época, a quantia foi investida na construção dos dois primeiros campos da Toca do Leão. À época, aquela área do complexo era apenas um barranco de areia, e o clube contava apenas com o gramado do próprio Barradão para realizar seus treinamentos.>
Após uma rápida passagem pela Alemanha, Rodrigo voltou ao Brasil para defender o Corinthians, clube onde permaneceu por quatro temporadas. Pelo time paulista, disputou mais de 125 jogos, conquistou o título do Campeonato Brasileiro de 1998 e recebeu convocações para a Seleção Brasileira, incluindo a participação na Copa América de 1995.>
Em 1999, retornou ao Vitória durante o Brasileirão para elevar o nível técnico da equipe e ajudou o time a encerrar a competição em 3º lugar. Na temporada seguinte, transferiu-se para o Cruzeiro, onde disputou 58 partidas e conquistou a Copa do Brasil.>
Na sequência, vestiu as camisas de Sport e Ponte Preta antes de fazer sua última passagem pelo rubro-negro em 2002. Embora tenha disputado apenas oito jogos naquela temporada, foi importante na campanha que levou o Vitória ao 10º lugar no Brasileirão.>
Depois disso, ainda atuou por clubes como Paysandu, CRB e União São João-SP, até encerrar precocemente sua carreira em 2006, aos 34 anos, em razão de um acidente de carro.>
Delegação do Vitória desembarcando em Salvador e sendo escoltada até o Barradão
Assim que encerrou sua carreira como jogador, Rodrigo Chagas decidiu iniciar a de técnico. E não poderia ser em outro lugar: em 2006, voltou ao Vitória para comandar o time sub-17, treinando justamente nos campos da Toca do Leão que ajudara a construir. Permaneceu na função até 2009, período em que conquistou o bicampeonato baiano da categoria. >
Ao deixar a base rubro-negra, assumiu equipes profissionais do futebol nordestino, entre elas Ipitanga, Catuense, Ypiranga, Barras do Piauí e Jacuipense. Pelo clube de Riachão do Jacuípe, alcançou o vice-campeonato da Segunda Divisão do Campeonato Baiano e conquistou o acesso.>
Em 2017, retornou ao Vitória para treinar novamente as divisões de base. Primeiro, comandou a recém-criada equipe sub-18. Com a extinção da categoria em 2018, voltou ao sub-17 e, no ano seguinte, assumiu o sub-20, conquistando a Copa do Nordeste da categoria.>
Seguiu no comando do sub-20 até novembro de 2020, quando foi chamado para assumir o time principal de forma interina, substituindo Eduardo Barroca. Foram quatro partidas, com duas vitórias, um empate e uma derrota. Na sequência, Mazola Júnior assumiu, mas caiu após apenas quatro jogos, com três derrotas e uma vitória. Rodrigo então foi efetivado, faltando sete rodadas para o fim da Série B, com a missão de evitar o rebaixamento para a Série C. O objetivo foi cumprido: a equipe terminou a competição com uma derrota, três empates e três vitórias consecutivas nas últimas rodadas.>
Permaneceu no cargo em 2021, mas acabou demitido em junho, após 23 jogos, com oito vitórias, 10 empates e cinco derrotas. Nos anos seguintes, comandou novamente o Jacuipense, além de Juazeirense, Atlético de Alagoinhas, Monte Roraima e Porto Vitória-ES.>
Há pouco mais de um mês, Rodrigo havia retornado ao Vitória para assumir novamente o sub-20. Em três jogos à frente da equipe, somou duas vitórias e um empate, garantindo a classificação em primeiro lugar no grupo da Copa do Nordeste da categoria. No entanto, diante da crise do time principal, foi convocado mais uma vez para assumir interinamente o comando técnico. Sua reestreia à frente do profissional acontece neste domingo (31), às 18h30, contra o Atlético-MG, no Barradão, pela 22ª rodada do Brasileirão.>