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Polícia Militar responde sobre fim da torcida única no Ba-Vi; entenda o posicionamento

Bahia e Vitória se reencontram na Arena Fonte Nova neste sábado (7)

  • Foto do(a) author(a) Alan Pinheiro
  • Alan Pinheiro

Publicado em 4 de março de 2026 às 15:11

Último Ba-Vi terminou com o Bahia vencendo o Vitória por 2x1
Bahia e Vitória se reencontram na Arena Fonte Nova neste sábado (7) Crédito: Rafael Rodrigues/EC Bahia

A Polícia Militar da Bahia (PMBA) reforçou a sua posição contrária à volta da torcida visitante aos estádios em clássicos entre Bahia e Vitória. De acordo com a corporação, a decisão precisa ser baseada em critérios técnicos e, além disso, estar dentro de um planejamento que englobe todas as partes envolvidas no processo, como Ministério Público, Tribunal de Justiça, Federações, Clubes, órgãos de segurança e outros.

"A Polícia Militar da Bahia (PMBA) informa que recebeu, com respeito institucional, as declarações veiculadas na imprensa referente à retomada da torcida mista no clássico entre Bahia e Vitória. Ressalta-se, no entanto, que a decisão sobre o modelo de público em eventos dessa natureza não compete exclusivamente à Corporação, mas deve ser resultado de deliberação conjunta entre todos os órgãos envolvidos na segurança e organização das partidas", diz em nota.

Nonato marcou 10 gols  por Divulgação

"A adoção da torcida única foi fruto de um acordo construído entre as instituições responsáveis, com base em critérios técnicos e na proteção da integridade dos torcedores, profissionais de imprensa, trabalhadores e demais envolvidos. A Polícia Militar permanece tecnicamente preparada para garantir a segurança dos eventos esportivos, independentemente do formato adotado, como tem demonstrado ao longo dos anos", complementa.

"No entanto, a mudança do modelo vigente exige nova pactuação entre as partes - Ministério Público, Tribunal de Justiça, Federações, Clubes, órgãos de segurança, entre outros - com responsabilidade, planejamento e amparo em avaliações técnicas atualizadas. A PMBA segue à disposição para contribuir com os debates e análises necessárias, sempre priorizando a segurança coletiva e o bom andamento dos eventos esportivos na Bahia", finaliza.

Decisão tomada

A decisão de manter a recomendação de torcida única no confronto entre Bahia e Vitória já tinha sido tomada pelo Ministério Público da Bahia, que recusou o pedido do clube rubro-negro de voltar a ter torcida visitante.

"O Ministério Público do Estado da Bahia, por meio da 3ª Promotoria de Justiça do Consumidor, em resposta ao documento enviado pelo Esporte Clube Vitória, através da Federação Bahiana de Futebol, comunicou hoje, dia 3, que deve ser mantida a política de torcida única na final do Campeonato Baiano de 2026", diz em nota.

"A Instituição ressalta que a análise sobre essa alteração deve ser pautada por critérios técnicos, priorizando a integridade física dos torcedores, trabalhadores e demais envolvidos. A política de torcida única constitui medida preventiva construída a partir do histórico de episódios de violência e fundamentada no princípio da precaução e da proteção da segurança coletiva", complementa o órgão.

Román Gómez deve ser titular e estrear no clássico baiano por Divulgação

A atual recomendação do Ministério Público já perdura desde 2018 entre os rivais baianos. Apesar do debate em torno do tema já ser recorrente a cada temporada, uma nova discussão se iniciou após a classificação do Vitória para a decisão do estadual. Dentro do gramado do Barradão, o presidente Fábio Mota declarou que iria protocolar um pedido na Federação Bahiana de Futebol (FBF) pelo fim da torcida única nos clássicos Ba-Vi.

O argumento do dirigente foi baseado na impossibilidade do torcedor rubro-negro acompanhar a final, visto que o campeão do torneio será conhecido em jogo único, com mando do Bahia – detentor da melhor campanha da competição. A mudança, inclusive, aconteceu pela diminuição de datas para os estaduais pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) no novo calendário do futebol brasileiro.

“Esse ano o campeonato mudou. Nós vamos ter apenas um Ba-Vi na final. Por ser Ba-Vi, não é justo ter uma única torcida assistindo ao Ba-Vi. Ano passado tivemos duas torcidas assistindo ao Ba-Vi. Amanhã vamos solicitar, mandar o ofício ao Ministério Público, ao Governo do Estado, Secretaria de Segurança Pública, comando da PM solicitando que, esse Ba-Vi, por ser único, que é um fato novo, que seja com torcida mista. Nós vimos um show que a polícia deu no carnaval. A gente tem certeza que vão prover para o Ba-Vi”, disse em entrevista à TVE.

A decisão tomada pela FBF é de acatar as orientações dos órgãos de segurança pública, especialmente a Polícia Militar e o Ministério Público.

Casos de violência e o início da torcida única

O estopim da escalada de violência ocorreu em 9 de abril de 2017, quando uma briga generalizada antes de jogo na Arena Fonte Nova terminou com 45 pessoas apreendidas e, horas depois, deixou um homem morto e outro baleado no Dique do Tororó. Diante dos episódios, a CBF, após recomendação do Ministério Público da Bahia (MP-BA), determinou que os clássicos fossem disputados com torcida única por seis partidas, período de quase um ano.

Em 2 de fevereiro de 2018, o Ministério Público avaliou como positivos os resultados da medida em termos de segurança e autorizou o retorno das duas torcidas aos Ba-Vis. Poucas semanas depois, porém, o primeiro clássico do ano, em 18 de fevereiro, lembrado como “Ba-Vi da paz”.

A partida ficou marcada por uma briga generalizada entre jogadores dentro do Barradão e por confrontos entre torcedores na região da Baixa dos Sapateiros, o que levou a uma nova recomendação de torcida única — mantida até hoje, depois de 31 Ba-Vis.

Mandante do confronto do próximo final de semana, o Bahia segue monitorando o tema e conversando com as autoridades. O Tricolor mantém o seu posicionamento contrário ao fim da medida, tendo em vista o entendimento de que não houve mudanças comportamentais que possibilitem o retorno das duas torcidas ao clássico.

O artigo 56 do Campeonato Baiano explica que os clubes visitantes tem o direito de adquirir a quantidade de ingressos correspondente a no máximo 10% da capacidade do estádio. No entanto, a regra não se aplica aos clássicos Ba-Vi enquanto estiver vigente a deliberação do Ministério Público da Bahia.