Acesse sua conta
Ainda não é assinante?
Ao continuar, você concorda com a nossa Política de Privacidade
ou
Entre com o Google
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Recuperar senha
Preencha o campo abaixo com seu email.

Já tem uma conta? Entre
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Dados não encontrados!
Você ainda não é nosso assinante!
Mas é facil resolver isso, clique abaixo e veja como fazer parte da comunidade Correio *
ASSINE

Da fé à insegurança: a repetição da violência na Lavagem do Bonfim

Nas últimas edições, ao menos quatro pessoas foram mortas e sete ficaram feridas a tiros durante a festa e no seu entorno

  • Foto do(a) author(a) Bruno Wendel
  • Bruno Wendel

Publicado em 16 de janeiro de 2026 às 14:18

Homem foi morto durante Lavagem do Bonfim
Homem foi morto durante Lavagem do Bonfim Crédito: Reprodução/ Redes sociais

A Lavagem do Bonfim existe há mais de 250 anos e segue como um dos maiores símbolos de fé, esperança e identidade cultural da Bahia. No entanto, episódios recorrentes de violência durante a festa e no seu entorno têm quebrado a narrativa de um momento exclusivamente marcado pela paz. De 2024 até agora, pelo menos quatro pessoas foram assassinadas a tiros e outras sete ficaram feridas em ocorrências associadas ao evento.

Somente neste ano, até o momento, a polícia contabiliza três mortes por arma de fogo e sete pessoas baleadas. Entre os óbitos está o de um capitão da Polícia Militar. Os episódios ocorreram após o governador Jerônimo Rodrigues (PT) ser vaiado durante sua participação na Lavagem do Bonfim, na manhã desta quinta-feira (15). Manifestantes exibiram cartazes e cobraram soluções para a violência que atinge o estado.

Homem foi morto durante Lavagem do Bonfim por Reprodução/ Redes sociais

Em 2024, um homem foi morto no período da tarde, logo após participar da festa, na região da Ladeira da Água Brusca, no bairro do Barbalho. No mesmo ano, a Bahia foi classificada como o segundo estado mais violento do Brasil em taxa de mortes violentas intencionais — que incluem homicídios, latrocínios, lesões seguidas de morte e mortes por intervenção policial — com 40,6 mortes por 100 mil habitantes, atrás apenas do Amapá.

Falhas 

Para o professor de Direito da Estácio Fib e coronel da reserva, Antônio Jorge, o conceito de circuito da Lavagem do Bonfim mudou ao longo do tempo.

“Hoje não se resume à Igreja da Conceição nem à Igreja do Bonfim. Já ultrapassou isso em muito, assim como o horário. Trata-se de uma festa tradicionalmente diurna, mas com reflexos que avançam pela noite”, afirma.

Capitão da PM é morto a tiros após reagir a tentativa de assalto em Salvador por Reprodução

Segundo o especialista em segurança pública, aponta falhas no palnejamento no evento. Para ele, seria necessário a ampliação do tempo de policiamento. “Principalmente nas áreas de retorno, no trajeto utilizado pelas pessoas ao sair do circuito tradicional da festa”, pontua.

Policial morto

Entre os mortos deste ano está o capitão da Polícia Militar Osniésio Pereira Salomão, baleado durante uma tentativa de assalto na Avenida Contorno. Ele deixava, a pé, uma festa particular realizada na região da Marina quando foi abordado por dois homens e reagiu, por volta das 19h50. Na troca de tiros, um dos suspeitos morreu.

Para Antônio Jorge, o caso também deve ser considerado parte do contexto da Lavagem do Bonfim. “Eu não considero apenas o trajeto do cortejo. Aqui na Bahia, o sagrado e o profano tradicionalmente caminham juntos, mas o profano está engolindo o sagrado — não só na Festa do Bonfim, mas em todas as festas populares. No entorno, hoje, existem diversos eventos”, avalia.

Imagem do Senhor do Bonfim sai da Basílica da Conceição da Praia por Jorge Gauthier

Na manhã desta sexta-feira (16), policiais militares realizaram uma operação no Complexo do Nordeste de Amaralina, área apontada como reduto do Comando Vermelho (CV), onde um dos envolvidos no crime teria se refugiado. No final de linha do Vale das Pedrinhas, equipes foram vistas deixando a região após uma incursão por volta das 10h.

Questionados se a ação estava relacionada à morte do capitão Osniésio, um dos policiais respondeu: “Não. É apenas uma operação de rotina”, disse o agente, que usava balaclava, deixando visíveis apenas os olhos.

Paredão e morte

A primeira morte associada à Lavagem do Bonfim neste ano ocorreu em um trecho da Avenida Jequitaia, via por onde passou a procissão. Os disparos aconteceram após uma confusão em uma festa do tipo “paredão”. Joilson Santana de Souza foi baleado e não resistiu aos ferimentos. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML).

Outras sete pessoas — quatro homens e três mulheres — foram socorridas e levadas a hospitais. Não há informações atualizadas sobre o estado de saúde das vítimas nem sobre o que motivou a briga. O caso é investigado pela 3ª Delegacia de Homicídios (DH/BTS). Até o momento, o autor dos disparos não foi identificado.

Babalorixá morto em 2024

Em 2024, o babalorixá Nilton Leal da Conceição, de 45 anos, foi morto após participar da Lavagem do Bonfim. Ele foi baleado na Ladeira da Água Brusca, no Barbalho, por um homem ainda não identificado. O religioso chegou a ser socorrido e levado ao Hospital Geral do Estado (HGE), mas não resistiu.

Horas antes do crime, Nilton havia publicado um vídeo nas redes sociais em que aparecia dançando durante a festa do Senhor do Bonfim.