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Fé, suor e comida raiz: a Lavagem do Bonfim antes mesmo do cortejo

Desde o início da manhã, fiéis, turistas e comerciantes transformaram o caminho até a Colina Sagrada em um retrato vivo da festa

  • Foto do(a) author(a) Monique Lobo
  • Monique Lobo

Publicado em 16 de janeiro de 2026 às 05:15

Lavagem do Bonfim 2026
Lavagem do Bonfim 2026 Crédito: Arisson Marinho/CORREIO

Quem acordou cedo para fugir do engarrafamento na Lavagem do Bonfim, que aconteceu nesta quinta-feira (15), em Salvador, esqueceu que tem sempre alguém que acordou mais cedo. Porém, é em horas como essa que vale a máxima: “quem tem fé vai a pé”. Os caminhos que não foram ultrapassados pelos carros ou pelas motos viraram uma prévia da tradicional caminhada da “Lavagem de Corpo e Alma”.

Até onde o olhar alcançava se via gente, desde cedo, andando rumo à Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia, no bairro do Comércio, de onde saiu a imagem do Senhor do Bonfim em direção à Colina Sagrada. Antes disso, devotos, corredores, festeiros e outros tantos perfis de soteropolitanos e turistas se aglomeravam aguardando o convidado de honra da celebração.

Dia de fé em Salvador por Sora Maia/CORREIO

A espera também foi um momento para forrar o estômago. Em uma barraca, antes das 7h, uma senhora ofertava um prato recheado de carne cozida. “Vai querer mais o que?”. perguntou ao cliente. “Fato”, ele respondeu sem pestanejar. Se saco vazio não pára em pé, saco recheado de comida “raiz” vai longe.

Ao longo do percurso, não faltaram pontos de venda da tradicional feijoada. No pé da colina, já no Bonfim, o cheiro de dendê seduziu uma turma que se enfileirou ao redor de uma baiana de acarajé. E atrás do Santuário, um vendedor de caldo de cana mal conseguiu parar de moer a cana-de-açúcar para atender os interessados.

Água foi outro item em abundância. Os comerciantes que chegaram no raiar do dia se esforçaram para se destacar. Alguns ainda tiravam um cochilo ao lado da caixa de isopor enquanto os outros colegas lançavam bordões para atrair a clientela. E, claro, a cada poucos metros, caixas e mais caixas de uma bebida ainda mais demandada: a cerveja. Em meio a tudo isso, quando a multidão ainda não tinha tomado cada metro quadrado da Avenida Jequitaia, só um barulho se sobressaía: “Olha o gelo!”.

No trajeto, enquanto as pessoas caminhavam continuamente tentando se aproximar da concentração do cortejo ou adiantar à chegada à Igreja do Bonfim, um ciclista roubou a cena. Ele parou sem falar nada, abriu um saco plástico carregado de fitinhas do Senhor do Bonfim e saiu distribuindo. A generosidade não passou batida e, em pouco tempo, ele foi tomado por um mar de mãos. Quem conseguiu garantir o item comemorou, não apenas pela boa vontade do ciclista, mas pela economia, já que, nesta data, o preço costuma ser mais salgado.

Quando as ruas começaram a encher, o sol expulsou as nuvens que mantiveram a temperatura amena no início da manhã. O calor pôde ser aplacado pelos carros pipas que fizeram chover mesmo com a sensação térmica passando dos 30°C. Era suor, cerveja e muita água, o tempero perfeito para uma festa baiana. O avanço do cortejo ao Santuário do Senhor do Bonfim só intensificou esses ingredientes. Quem ficou, com certeza, tem muito mais histórias para contar.

O Projeto Festas Populares é uma realização do Jornal Correio com apoio institucional da Prefeitura Municipal de Salvador.

Tags:

Festa Lavagem Igreja do Bonfim Senhor do Bonfim Devotos Bonfim Lavagem do Senhor do Bonfim Lavagem do Bonfim