Acesse sua conta
Ainda não é assinante?
Ao continuar, você concorda com a nossa Política de Privacidade
ou
Entre com o Google
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Recuperar senha
Preencha o campo abaixo com seu email.

Já tem uma conta? Entre
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Dados não encontrados!
Você ainda não é nosso assinante!
Mas é facil resolver isso, clique abaixo e veja como fazer parte da comunidade Correio *
ASSINE

'O governador disse que conversou com a gente, mas não teve conversa nenhuma', diz ambulante da antiga Rodoviária de Salvador

Trabalhadores realizaram manifestação nesta quinta-feira (22)

  • Foto do(a) author(a) Maria Raquel Brito
  • Foto do(a) author(a) Millena Marques
  • Maria Raquel Brito

  • Millena Marques

Publicado em 22 de janeiro de 2026 às 17:37

Protesto em frente à antiga rodoviária de Salvador
Protesto em frente à antiga rodoviária de Salvador Crédito: Arisson Marinho/CORREIO

“Queremos trabalhar, governador não quer deixar”. Com esse coro, ambulantes que trabalhavam na antiga rodoviária de Salvador realizaram um protesto na Avenida Antônio Carlos Magalhães (ACM), na manhã desta quinta-feira (22). Os manifestantes temem perder a clientela com a inauguração da nova rodoviária, em Águas Claras. Segurando cartazes, eles cobraram uma solução aos órgãos competentes e ao governador Jerônimo Rodrigues (PT).

Gonçalo Francisco de Lemos, de 54 anos, é um dos trabalhadores informais que viraram o século na rodoviária. Com um ponto no terminal desde 1999, ele se juntou aos manifestantes na manhã desta quinta-feira para reivindicar que providências sejam tomadas pelo governo.

“A gente é pai de família, não é vagabundo ou ladrão. Eu moro em Pernambués, tenho filho para criar e preciso levar o sustento pra casa. Então eles têm que dar uma uma solução para a gente, a gente está esperando por isso. A gente teve que fazer essa manifestação aqui para chamar atenção, porque se não, a gente vai viver de quê?”, questionou.

Protesto em frente à antiga rodoviária de Salvador por Arisson Marinho/CORREIO

“Governador, não somos cachorros, precisamos de sua atenção”, dizia um cartaz. “Queremos trabalhar. Não temos clientes”, exibia outro. Os trabalhadores se reuniram por volta das 9h e protestaram por cerca de três horas, sob acompanhamento de guarnições da 1ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM) e da Superintendência de Trânsito de Salvador (Transalvador).

Vice-presidente da Associação de Ambulantes de Salvador e Região Metropolitana (Asfaerp), Paulo Marques explicou que a motivação do protesto foi a falta de respostas dos entes governamentais aos trabalhadores. Segundo ele, 90 ambulantes foram cadastrados para atuar na nova rodoviária, mas nenhum deles do terminal antigo, apenas trabalhadores da região de Águas Claras.

“A situação ficou difícil para os 103 ambulantes que trabalham aqui na rodoviária antiga. A secretaria ficou de nos contatar para fazer uma reunião e viabilizar a questão dos ambulantes e até agora só enrolação. Enquanto o governador com a equipe dele não procurar o nosso grupo da Associação dos Ambulantes, nós vamos parar a cidade, vamos botar nossas bancas para trabalhar aqui na passarela do metrô. O que a gente não pode é ficar passando fome”, defendeu.

Dos seus 34 anos de vida, Mariane Santos não se lembra de uma época em que a rodoviária de Pernambués não esteve presente. Seu pai começou a trabalhar nos arredores do terminal quando tinha apenas 14 anos, vendendo geladinhos. Depois, mais velho, montou a própria barraca de acessórios. Criou os filhos assim: muitas vezes durante a infância, Mariane dormiu embaixo da barraca e o mingau que tomava era feito num fogão instalado na barraca.

Quando completou 15 anos, Mariane abriu seu próprio ponto na rodoviária, onde vende acessórios para celular. “É uma vida aqui. E ser interrompida assim, sem ninguém dizer como nós vamos ficar, é triste. Dói”, disse. Com a mudança do terminal para Águas Claras, ela esperava que o futuro dos ambulantes fosse levado em conta pelo Governo, mas a realidade, segundo a vendedora, foi um período de transição sem nenhuma comunicação oficial.

“O governador disse que conversou com a gente, que já estávamos cientes que ele ia fazer um box lá pra nós, mas não teve conversa nenhuma. Eles lacraram o caminho da passagem, não entra mais ninguém. Pelo menos antes dava pra gente levar o pão pra nossos filhos, porque eu tenho dois filhos. E hoje não está dando pra levar nada, porque não tem cliente. O cliente vai descer aqui pra quê? Não tem o que fazer aqui”, afirmou, segurando um cartaz em protesto.

Natural de Maragogipe, Maria Aparecida Araújo, de 53 anos, passou os últimos 15 anos trabalhando na rodoviária de Pernambués. Os salgados que vende diariamente são a única renda da família. Nos últimos dias, porém, ela viu as vendas caírem completamente com a migração do terminal.

“A gente sempre soube que a rodoviária ia sair daqui, mas é aquela coisa, né? A gente nunca espera que isso vai nos abalar tanto. São várias famílias desempregadas, praticamente sem nenhuma renda. É uma tristeza, porque a rodoviária significava vida e hoje é aquela mortandade, não tem vida aqui mais”, disse.