Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Fernanda Varela
Publicado em 12 de janeiro de 2026 às 12:11
A aparência de Donald Trump, especialmente o tom alaranjado da pele, voltou a chamar atenção e a alimentar debates nas redes sociais e na imprensa internacional. Há anos, fotos do presidente dos Estados Unidos circulam acompanhadas de comentários sobre um possível uso excessivo de bronzeador, maquiagem ou filtros, algo que ele próprio nega. Segundo pessoas próximas, a coloração seria resultado de genética e iluminação, mas especialistas em imagem e fotografia apontam que o fenômeno é mais complexo.>
Donald Trump
A editora de fotografia americana Emily Elsie, que acompanha há anos a forma como políticos aparecem em imagens oficiais e de imprensa, afirma que a tonalidade da pele de Trump muda de forma significativa conforme o tipo de luz e o ambiente em que ele é fotografado. Em cenários com luz fria, mais branca, o tom tende a ficar mais intenso e artificial. Já em luz quente, amarelada, a coloração pode parecer ainda mais carregada, criando o efeito de pele alaranjada que viraliza com frequência.>
Segundo ela, isso não significa necessariamente que haja um único produto por trás da aparência. Iluminação, câmeras, balanço de cores e até o tipo de maquiagem aplicada para televisão influenciam diretamente o resultado final. Marcas mais claras, como linhas de óculos, também acabam ficando mais evidentes, o que reforça a impressão de bronzeamento artificial.>
Além do aspecto técnico, Emily também levanta uma hipótese ligada ao comportamento. Ao analisar imagens de Trump ao longo dos anos, ela observou que o tom da pele variava conforme o contexto político. Em períodos de maior pressão, como campanhas, debates e momentos de desgaste público, o uso de maquiagem parecia mais intenso. Já em fases de maior estabilidade ou fora dos holofotes, a coloração aparecia mais suave.>
Esse padrão ficou especialmente visível durante a corrida presidencial de 2024. De acordo com a fotógrafa, após o debate com Joe Biden, em junho daquele ano, a maquiagem de Trump praticamente desapareceu por um período. À medida que as pesquisas eleitorais se tornaram mais favoráveis a ele, o tom da pele também voltou a parecer mais natural em registros públicos.>
A análise sugere que, mais do que uma escolha estética fixa, a aparência de Trump pode refletir uma tentativa de controle da própria imagem diante das câmeras, algo comum em políticos acostumados à exposição constante. A maquiagem funciona como uma ferramenta para transmitir vitalidade, saúde e presença, ainda que o efeito, em certos contextos, acabe exagerado.>
Apesar das especulações, Trump continua negando o uso de bronzeamento artificial ou loções. Um de seus assessores já afirmou que a coloração se deve a bons genes. Mesmo assim, o contraste entre diferentes fotos, eventos e períodos políticos segue alimentando o debate, mostrando como imagem, tecnologia e pressão pública se misturam na construção da figura de um dos personagens mais observados do cenário global.>