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Ana Beatriz Sousa
Publicado em 6 de fevereiro de 2026 às 06:45
Depois de quase três décadas à frente do Jornal Nacional, William Bonner viveu uma experiência inesperada ao deixar a bancada do telejornal mais assistido do país. Aos 62 anos, o jornalista contou que ficou surpreso, e até um pouco assustado, com a onda de homenagens e demonstrações de carinho que recebeu após o anúncio de sua saída. >
“Eu me senti como se tivesse morrido”, disse Bonner, em tom bem-humorado, ao relembrar a repercussão do comunicado oficial. Segundo ele, a reação da imprensa e do público foi marcada por um respeito que nem sempre esteve presente ao longo de sua trajetória. “Quando alguém famoso morre, os perfis costumam ser mais generosos. Foi exatamente essa sensação”, comparou.>
O jornalista contou que chegou a brincar com a família sobre o assunto. “Falei para minha mulher: ‘Gente, é como se eu tivesse morrido’. Pessoas que antes eram muito críticas passaram a ser extremamente gentis. Agradeço de verdade, porque vi ali um respeito que, em muitos anos, não se manifestava”, afirmou.>
Bonner também percebeu uma mudança curiosa na forma como passou a ser abordado nas ruas. Se antes enfrentava críticas e abordagens mais duras, agora o clima é outro. “Voltei a uma fase anterior a 2013. As pessoas querem foto, abraço. Não pedem mais autógrafo, mas demonstram muito afeto”, contou.>
Ele deixou oficialmente o Jornal Nacional no dia 31 de outubro, após 29 anos no comando do telejornal, sendo substituído por César Tralli ao lado de Renata Vasconcellos. Desde então, Bonner diz perceber um verdadeiro “ritual” nos encontros com fãs, especialmente em aeroportos. Primeiro, vem o lamento pela saída; depois, o apoio à decisão; e, em seguida, os elogios ao sucessor.>
Despedida de Bonner do Jornal Nacional
Com o passar das semanas, uma nova frase passou a se repetir: “O país deve um obrigado a você”. Bonner conta que ouviu isso de algumas pessoas, como um ex-presidente de estatal, durante uma viagem a Lisboa. “Esse agradecimento não é só para mim. Ele representa uma categoria inteira. Ninguém faz jornalismo sozinho”, destacou.>
Agora, o jornalista inicia uma nova etapa da carreira. Bonner estreia no Globo Repórter no próximo dia 20 de fevereiro, ao lado de Sandra Annenberg. O programa terá novo cenário, com um clima mais intimista, e aposta em conversas e reportagens aprofundadas.>
A mudança marca também uma escolha pessoal. Ao deixar o hard news diário, Bonner busca um ritmo diferente, com mais tempo para a família e para se dedicar a um jornalismo mais reflexivo. “Era o momento de virar a página”, deixa claro.>