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Atraído para uma cilada: cobrança de R$ 300 levou à morte de ambulante mineiro

Desaparecido desde outubro, Daniel Godim foi sequestrado após cobrar clientes ligadas ao BDM

  • Foto do(a) author(a) Bruno Wendel
  • Bruno Wendel

Publicado em 27 de janeiro de 2026 às 12:57

Pai mantém fé após sequestro de ambulante mineiro em Itaparica
Pai mantém fé após sequestro de ambulante mineiro em Itaparica Crédito: Reprodução

Ao que tudo indica, o mineiro Daniel Araújo Godim, de 25 anos, desaparecido na Ilha de Itaparica desde outubro do ano passado, foi atraído para uma emboscada. Após a prisão da irmã de um traficante no início deste mês, a polícia descobriu que o vendedor ambulante teria sido assassinado por cobrar pouco mais de R$ 300 em roupas íntimas a duas mulheres, sendo uma delas namorada de um integrante do Bonde do Maluco (BDM). O suspeito foi preso dois meses depois do sumiço, junto com o irmão, ambos apontados como os principais responsáveis pelo crime.

“Ela foi quem recebeu o Pix logo após o sequestro e transferiu para a conta do namorado”, contou o delegado Leandro Mascarenhas, titular da Delegacia de Vera Cruz, na manhã desta terça-feira (27). Em entrevista ao CORREIO, o pai de Daniel relatou que a mãe chegou a transferir R$ 3 mil pela suposta soltura do filho, o que nunca aconteceu. Inicialmente, chegou a ser ventilada a versão de que o desaparecimento estaria relacionado a uma ação do Comando Vermelho (CV), sob a alegação de que o vendedor ambulante “fazia entregas” para o BDM.

Pai mantém fé após sequestro de ambulante mineiro em Itaparica por Reprodução

Daniel trabalhava como mascate, vendendo de porta em porta diversas mercadorias, entre elas roupas íntimas femininas. Segundo a polícia, com base no depoimento da namorada do traficante, o vendedor insistia para que as duas mulheres quitassem a dívida, chegando inclusive a fazer ameaças. “Na delegacia de Itaparica, há boletins de ocorrência contra ele, de clientes que também se sentiram intimidados”, afirmou o delegado.

Diante das cobranças, a morte do mineiro teria sido arquitetada. “As duas que deviam chamaram ele para buscar o dinheiro, mas, na verdade, o atraíram para a morte”, disse Mascarenhas. Ainde de acordo com o depoimento, a vítima foi levada para uma área de mata, onde foi executada a tiros. No dia 8 de outubro, Daniel teria saído de um restaurante, em Barra do Pote, por volta das 6h30, e não foi mais visto com vida.

Prisões

No dia 16 de dezembro do ano passado, três pessoas foram presas acusadas de envolvimento na extorsão mediante sequestro: dois irmãos, de 21 e 22 anos, e uma mulher, de 18 anos. Eles foram localizados nos municípios de Vera Cruz e Itaparica, segundo a Polícia Civil. A Delegacia Especializada Antissequestro (DAS) identificou cinco envolvidos no crime, entre mandantes, beneficiários e executores. Todos tiveram prisões temporárias deferidas pelo Juízo das Garantias de Salvador.

Durante o cumprimento dos mandados judiciais e das buscas domiciliares, foram apreendidos aparelhos celulares submetidos à análise pericial para aprofundar as investigações e identificar a participação de outros envolvidos. Um dos aparelhos foi identificado como pertencente à vítima. Uma arma de fogo calibre 9 mm também foi apreendida com um dos acusados, que foi autuado em flagrante por posse ilegal de arma.

Sequestro

Logo após o desaparecimento de Daniel, uma publicação foi feita em seu perfil no Instagram com a mensagem: “Não sou trabalhador mais não, sou bandido Comando Vermelho agora CV (sic)”. O texto, acompanhado de ícones como a bandeira vermelha e o símbolo de duas pessoas com uma mão, sugeria que o jovem teria integrado a organização criminosa. A família afirmou que a postagem era falsa.

Daniel vinha trabalhando com a venda de lençóis, produtos para casa e utensílios domésticos na Ilha de Itaparica. No dia do desaparecimento, o pai do jovem relatou que moradores afirmaram ter visto o carro do filho, um Fiat Uno, circulando pela ilha durante a noite. No entanto, ninguém soube informar quem dirigia o veículo.