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Desvalorização? Preço de venda do antigo Centro de Convenções é 60% menor que valor de mercado

Perito judicial analisa lance mínimo de R$ 141,3 milhões do terreno de 187,9 mil m²

  • Foto do(a) author(a) Maysa Polcri
  • Maysa Polcri

Publicado em 6 de março de 2026 às 06:00

O antigo Centro de Convenções da Bahia (CCB) desabou há quase dez anos
Antigo Centro de Convenções da Bahia (CCB) segue em situação de abandono  Crédito: Marina Silva/Arquivo CORREIO

O preço mínimo do leilão do antigo Centro de Convenções da Bahia (CCB), em Salvador, está abaixo do valor de mercado, segundo a avaliação de um perito judicial e corretor de imóveis. O lance inicial do edital é de R$ 141,3 milhões, enquanto estimativas baseadas no valor médio do m² da região indicam que o terreno poderia alcançar cerca de R$ 350,7 milhões — uma diferença de aproximadamente 59,7%.

De acordo com Ederson Galeno, que faz avaliações de imóveis em Salvador há mais de 17 anos e integra o Conselho Regional de Corretores de Imóveis da Bahia (Creci), o valor médio do m² na região do Jardim Armação é de R$ 3 mil. 

O terreno tem cerca de 187,9 mil m², mas parte dele — aproximadamente 71 mil m² — é área de preservação ambiental. Ainda assim, a área utilizável, de cerca de 116,9 mil m², permite que um grande empreendimento imobiliário seja erguido no local. A área é suficiente para a construção de mais de 20 torres de apartamentos, por exemplo. 

“Quando você faz uma comparação  com o valor médio do m² de terrenos naquela localidade, que gira em torno de R$ 3 mil, o terreno poderia chegar a valores mais altos”, afirma o perito judicial e corretor de imóveis. “Ele foi avaliado em R$ 141 milhões, então você percebe que já existe um distanciamento grande", acrescenta. 

Antigo Centro de Convenções da Bahia (CCB) segue em situação de abandono pelo governo do estado quase dez anos após o desabamento parcial do equipamento por Nara Gentil/Arquivo CORREIO

O potencial construtivo da área é um dos principais fatores que poderiam elevar a estimativa de valor. “Pelo potencial construtivo que existe ali, eu penso que o terreno poderia valer mais”, disse. “Você tem uma área muito grande, em uma região mista, onde é possível ter comércio e residências, com possibilidade de verticalização". 

Ele explica que o valor final de um empreendimento nesse local poderia chegar a cifras bilionárias quando se considera o chamado Valor Geral de Vendas (VGV), indicador usado no mercado imobiliário para estimar quanto os imóveis de um projeto podem gerar após concluídos.

“O VGV possível para a região seria em torno de R$ 3 bilhões. Não quer dizer que o terreno vale isso, mas mostra o tamanho do potencial econômico que existe ali depois que o empreendimento estiver pronto", completa Ederson Galeno. Para o especialista, fatores como esses não foram levados em consideração na avaliação feita pela Caixa Econômica Federal (CEF). A análise determinou o lance mínimo previsto no leilão.

O terreno reúne características consideradas estratégicas para o mercado imobiliário. O especialista cita a proximidade com centros comerciais, hospitais, shoppings, transporte público e a orla marítima como fatores que aumentam o interesse para projetos residenciais, comerciais ou hoteleiros.

Demolição 

Apesar dos pontos que valorizam o terreno, o especialista reconhece que os custos para retirar a estrutura atual do antigo Centro de Convenções podem ser um empecilho. Quem arrematar o leilão terá prazo de oito meses para demolir o imóvel, que está fechado desde 2015 e é alvo recorrente de furtos e invasões. O edital prevê abatimento desse custo no valor final da compra.

Ainda assim, na avaliação do perito, o cenário atual de abandono não representa um fator relevante de desvalorização. “Quem comprar aquela área não vai mantê-la como está. Vai desenvolver um projeto que torne o empreendimento atrativo”, afirma. 

Ao CORREIO, o secretário de Administração da Bahia, Rodrigo Pimentel, confirmou a expectativa que o terreno seja vendido por um valor acima do lance mínimo. "Nós consideramos um imóvel estratégico porque está numa região movimentada, perto do Centro de Convenções municipal, da Arena Multiuso, e já temos algumas empresas e compradoras do ramo de construção civil interessadas", diz. Segundo ele, 65% do terreno pertence ao Estado e, o restante, à Prefeitura de Salvador.

Abandono 

O antigo Centro de Convenções da Bahia foi fechado em 2015. No ano seguinte, parte do prédio desabou, ferindo três pessoas. Na época, o Governo da Bahia anunciou que o centro seria demolido, mas o empreendimento foi penhorado pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT).

O local ficou, durante anos, no centro da disputa judicial entre o Estado e ex-funcionários da extinta Bahiatursa. Até que em setembro de 2025, o TRT cancelou o arresto e a penhora do imóvel, após um acordo.

Mesmo fora da disputa na Justiça, o terreno segue abandonado. Rachaduras, janelas quebradas e ferrugens são visíveis no espaço que já abrigou importantes eventos nacionais e internacionais. Entre eles, a 12º edição do Congresso da Organização das Nações Unidas (ONU), em 2010. Hoje, o espaço é alvo de furtos, além de servir como rota de fuga para criminosos, segundo denúncias de moradores.