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Dono fora de casa, cheiro de gás e explosão: o que se sabe sobre incêndio em prédio em Salvador

16 pessoas precisaram de atendimento médico após explosão em edifício no Vale dos Rios

  • Foto do(a) author(a) Maysa Polcri
  • Maysa Polcri

Publicado em 27 de fevereiro de 2026 às 21:00

Explosão em prédio no Vale dos Rios, em Salvador
Explosão em prédio no Vale dos Rios, em Salvador Crédito: Sora Maia/CORREIO

explosão em um prédio localizado no Vale dos Rios, no bairro do Stiep, em Salvador, provocou grandes estragos. Parte do edifício desabou e moradores precisaram deixar suas casas.

Até a noite desta sexta-feira (27), bombeiros seguiam realizando o rescaldo, parte final do atendimento da ocorrência. Após essa fase, a Defesa Civil (Codesal) vai avaliar os danos e vai emitir um laudo determinando ou não a demolição do prédio. Veja abaixo tudo o que se sabe sobre o caso até agora: 

Vazamento de gás 

O Corpo de Bombeiros foi acionado por moradores do prédio na manhã desta sexta (27). Eles relataram que sentiam cheiro forte de gás e avisaram o proprietário do apartamento, Antônio Morais. Em uma mensagem enviada no grupo de moradores do prédio, o dono autorizou que os vizinhos entrassem para verificar o apartamento, o que acabou sendo feito pelos militares.

O diretor-geral da Defesa Civil de Salvador, Adriano Silveira, afirmou que as informações preliminares apontam para um vazamento de GLP (gás liquefeito de petróleo), popularmente conhecido como gás de cozinha, como possível causa da explosão.

Segundo ele, o gás teria vazado de um botijão em um dos apartamentos e, após alguma fonte de ignição, cuja origem ainda será apurada pelo Departamento de Polícia Técnica, houve a explosão. Silveira destacou que o impacto foi tão intenso que atingiu prédios vizinhos e comprometeu a estrutura do edifício, inclusive com colapso parcial.

Incêndio atingiu prédio após explosão de gás no Stiep por Reprodução/TV Bahia

Imóvel vazio 

O proprietário do imóvel, Antônio Morais, estava em Cachoeira, no Recôncavo baiano, quando foi informado por moradores sobre o suposto vazamento de gás. Ele esteve no apartamento pela última vez na quinta-feira (26), quando deixou o imóvel por volta das 12 horas. Ele mora sozinho e o apartamento estava vazio no momento da explosão. 

Antônio Morais afirmou que não sentiu cheiro de gás antes de sair do local. A informação foi passada pelo seu advogado, Marcelo Sotero, durante entrevista em frente ao imóvel. "Ele disse que não cozinhou nada, que saiu daqui sem almoçar. Ele disse que toda vez que sai desliga os disjuntores, e que não sentiu cheiro [de gás] quando saiu", revelou.

O advogado confirmou que o proprietário foi avisado sobre o vazamento de gás através do grupo do condomínio no WhatsApp. "Tinha o cheiro de gás e o pessoal do condomínio, através do grupo de WhatsApp, mandou uma mensagem e perguntou a ele se poderiam entrar no apartamento porque tinha o cheiro de gás. Ele mandou uma autorização no grupo do condomínio dizendo: 'tudo bem, podem entrar no apartamento'", disse.

Feridos

Dezesseis pessoas foram atendidas após a explosão, sendo quatro delas bombeiros militares. Parte das vítimas foi liberada ainda no local e outra parte foi encaminhada para unidades de saúde. O Hospital Municipal de Salvador recebeu três pacientes encaminhados pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). O Hospital Geral do Estado (HGE) também recebeu três vítimas, sendo que algumas precisaram passar por exames de imagem.

Pacientes com plano de saúde foram direcionados à rede suplementar. as vítimas apresentaram, em sua maioria, quadros de leve a moderada complexidade. Não houve registro de óbitos.

Bombeiros machucados 

Quatro bombeiros militares foram feridos no momento em que entravam no apartamento para verificar o vazamento de gás no imóvel, que estava vazio. Foi nesse momento também que a explosão teve início, segundo relato de moradores.

"A nossa chegada foi muito rápida e havia uma concentração de gás muito grande no local. A explosão aconteceu com os nossos bombeiros atendendo a ocorrência, logo na entrada. Alguém acionou alguma fonte de calor e causou a explosão, com um deslocamento violento de massa de ar que atingiu as pessoas que estavam na edificação", detalhou Aloisio Fernandes, comandante do Corpo de Bombeiros. 

Ao menos um dos bombeiros feridos recebeu alta durante a tarde. "A situação mais grave é de um militar que, aparentemente, teve uma fratura no braço esquerdo e está passando por exames", falou o comandante. A reportagem entrou em contato com a assessoria do Corpo de Bombeiros, que não informou o estado de saúde dos militares até esta publicação.

Prédio corre risco de desabar

Até a noite desta sexta-feira (27), técnicos da Defesa Civil de Salvador (Codesal) aguardavam o fim do trabalho do Corpo de Bombeiros para que a avaliação do prédio fosse realizada. É preciso que os militares finalizem a etapa de rescaldo e que ocorra o esfriamento da estrutura para que a Codesal realize a inspeção. O imóvel onde ocorreu a explosão e um edifício vizinho permanecem interditados. 

“Pelo que já é possível observar externamente, percebemos indícios de colapso em parte da estrutura, o que é algo muito grave. No entanto, faremos uma análise mais completa, delicada e aprofundada para definir as medidas necessárias. Essa avaliação será realizada não apenas pela Codesal, mas também pelo Departamento de Polícia Técnica (DPT), que irá apurar as causas do incêndio e emitir um relatório técnico. A vistoria interna só poderá ser feita após o cenário estar totalmente controlado”, informou Adriano Silveira, diretor-geral da Codesal. 

Desespero 

Uma moradora do apartamento 304 do prédio atingido pela explosão contou que a explosão foi tão violenta que o chão do quarto de sua filha desabou na hora. “A explosão foi no apartamento de baixo, do lado do meu. Foi tão forte que o chão do quarto da minha filha desabou. Quando eu vi isso, percebi que tinha risco de desabar o resto do prédio. Eu só peguei minha cachorrinha e elas três. Molhamos toalhas, colocamos no rosto e saímos pelo corredor", contou. 

Durante toda a tarde de sexta-feira (27), moradores e curiosos estiveram no Vale dos Rios. Entre eles, a administradora Sueli Lopes, que em meio ao cenário de destruição e incerteza, procura pelo gato de estimação, Sete, de 12 anos, desaparecido desde a explosão. Outros animais foram resgatados durante o dia.