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Nauan Sacramento
Publicado em 10 de janeiro de 2026 às 10:00
As frequentes ondas de calor que vêm atingindo diversas regiões do Brasil têm colocado a saúde da população em alerta. Na Bahia, este ano, a temperatura já chegou a 38,4°C, em Euclides da Cunha, na região norte do estado, na última terça-feira (6). Com termômetros perto dos 40°C e sensações térmicas ainda mais elevadas, a exposição ao calor excessivo deixa de ser apenas um desconforto e passa a ser um risco real. Esse fenômeno pode levar a desmaios, queda de pressão e, em casos extremos, ao colapso do organismo. >
O calor exacerbado e os raios solares são responsáveis por trazer diversos danos para a saúde em geral, como a desidratação e as queimaduras solares.>
Desidratação e golpes de calor
As altas temperaturas que surgem no verão são motivo de festa para alguns, mas para outros é uma alerta constante. Kauã Nunes, 20 anos, estudante de sociologia na Universidade do Estado da Bahia (Uneb), demorou a perceber os sinais de que estava sendo afetado. “Eu descobri aos poucos, quase sem perceber. Sempre que o calor ficava insuportável, eu começava a me sentir mal. Hoje, sei que, sem ar-condicionado, eu já começo a me sentir mal. Meus sintomas são bem claros: fraqueza, tontura, coração disparado, suor frio e visão turva. Se eu não encontrar um lugar fresco rapidamente, sei que vou desmaiar”, revela.>
E não adianta ser bicho de praia, Leila Lima, 21 anos e moradora da Gamboa do Morro, no município de Cairu, no litoral baiano, relata que precisou fazer mudanças no seu dia a dia desde quer esses sintomas se intensificaram. “Minha rotina mudou completamente. Eu evito sair ao ar livre durante o dia, sou dependente de ar-condicionado e sempre bebo água. Minha comida é leve, minhas roupas são largas e claras, e eu ando devagar. Já faz alguns anos que eu não aproveito a praia devido ao calor”, conta.>
Para orientar a população, especialistas ouvidos pelo CORREIO, como a nutricionista, Lidiane Oliveira, e a médica especialista em patologias, Catalina Perez, destacam que a prevenção é o caminho mais seguro para atravessar os dias com altas temperaturas. >
Confira as dicas:>
1. Hidratação: não espere sentir sede>
A regra de ouro é manter o corpo hidratado o tempo todo. Segundo Lidiane, é importante priorizar "alimentos ricos em água como melancia, abacaxi e manga, além de verduras como alface, pepino e tomate. Outras bebidas que ajudam são os chás, sem açúcar é claro". A recomendação é ingerir ao menos dois litros de água por dia, mantendo sempre uma garrafa por perto. Além da água, o uso de soro fisiológico nas vias nasais e sprays de água na pele ajudam a manter as mucosas úmidas e o corpo resfriado.>
2. Alimentação leve: quais manter?>
A nutricionista recomenda os alimentos in natura e garante que existem contra indicações até para a cervejinha na beira do mar. “É importante reduzir ultraprocessados, frituras e álcool que sobrecarregam o organismo. Eles aumentam a sensação de cansaço e dificultam a regulação da temperatura corporal”. O ideal é optar por alimentos leves (frutas, legumes e verduras) em pequenas quantidades, com intervalos curtos (a cada duas horas).>
3. Horários de exposição e exercícios>
A médica Catalina é enfática: deve-se evitar a exposição direta ao sol entre às 10h e 17h, período em que a radiação e o calor atingem seus picos. Atividades físicas ao ar livre durante esses horários são desaconselhadas, pois podem causar tonturas e desmaios. O uso de acessórios como bonés, chapéus e protetor solar são indispensáveis para reduzir o risco de queimaduras e doenças de pele a longo prazo.>
4. O que fazer nas noites de calor?>
Segundo Catalina, é necessário manter uma hidratação adequada ao longo do dia, além de reduzir estímulos luminosos e eletrônicos antes do sono. Tomar banho morno antes de dormir também ajuda e evitar água muito fria, que pode gerar vasoconstrição reflexa que dificulta a dissipação do calor. >
5. Produtos que podemos (ou não) usar>
A médica informa que do ponto de vista clínico, recomenda-se utilizar protetor solar de amplo espectro (UVA e UVB), com FPS ≥ 30, preferencialmente FPS 50 em populações de maior risco. >
"Fórmulas resistentes à água e ao suor, especialmente para quem permanece ao ar livre. Para pessoas com pele sensível, crianças e idosos, priorizar filtros físicos (minerais) à base de óxido de zinco ou dióxido de titânio", diz. Ela também orienta a reaplicar o protetor a cada duas horas ou após sudorese intensa. Outra dica é evitar cremes muito oleosos ou oclusivos durante calor extremo, pois podem dificultar a dissipação do calor. Hidratantes leves e não comedogênicos podem ajudar a manter a integridade da pele, especialmente após exposição solar. O uso de chapéus, roupas leves, tecidos respiráveis e a redução da exposição solar nos horários de pico continuam sendo medidas fundamentais.>
6. Sinais de Alerta e Insolação>
É preciso estar atento aos sintomas de que o corpo está sofrendo com o calor. Fadiga excessiva, sede persistente, dor de cabeça, pele avermelhada e sudorese intensa são sinais clássicos. O maior perigo é a insolação (ou "golpe de calor"), que ocorre quando o mecanismo de transpiração falha e o corpo não consegue mais se resfriar. "O golpe de calor é uma emergência médica com alta taxa de mortalidade se não for tratada imediatamente", alerta Catalina. Grupos vulneráveis, como crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas, exigem atenção redobrada, pois desidratam com maior facilidade.>
Por que está tão quente?>
Meteorologistas apontam que fenômenos como o El Niño e o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial influenciam diretamente no clima, trazendo mais energia para a atmosfera e resultando em ondas de calor mais frequentes e intensas. A expectativa é que esses extremos climáticos continuem desafiando a rotina dos brasileiros, tornando os cuidados com a saúde uma prioridade diária.>