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Ana Beatriz Sousa
Publicado em 4 de março de 2026 às 13:11
[ALERTA: Este texto aborda temas como estupro, o que pode servir de gatilho para algumas pessoas. Se você ou alguém que você conhece está passando por isso, denuncie e busque ajuda. Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher).]>
Em um vídeo publicado em sua rede social na última terça-feira (3), a influenciadora baiana Gabriela Morais (que muitos ainda conhecem pelo antigo sobrenome, Pugliesi) decidiu compartilhar uma das partes mais dolorosas de sua vida. Pela primeira vez, ela revelou ter sido vítima de abuso sexual quando tinha apenas oito anos de idade. >
O gatilho para a confissão foi o depoimento de Alexandra Zarini, herdeira da grife Gucci, que denunciou abusos sofridos na própria família. Gabriela aproveitou a repercussão para derrubar um mito perigoso: o de que o abuso infantil só acontece longe dos olhos ou em ambientes precários.>
Gabriela Morais
"A gente acha que dinheiro, sobrenome e status protegem uma criança, mas você está enganada", alertou Gabriela. Sem rodeios, ela deu um rosto ao seu trauma: o agressor era o pai de sua melhor amiga na época.>
Mãe de dois meninos, Lion e Massimo, a influenciadora explicou que levou mais de 30 anos para conseguir verbalizar o ocorrido sem travar. Hoje vivendo no Uruguai com o marido, Túlio Dek, ela enxerga o desabafo como uma missão. Para ela, o silêncio é o maior aliado do abusador.>
"Eu falo 'abusada' para não usar outra palavra aqui. Foi muito duro e traumatizante", confessou emocionada. Gabriela reforçou que, estatisticamente, o perigo raramente é um estranho na rua, mas sim alguém que frequenta a casa, tem a confiança dos pais e convive com a criança.>
O vídeo serviu como um apelo urgente para que pais e responsáveis não ignorem sinais ou comportamentos estranhos nos pequenos. "Infelizmente, não dá para confiar em quase ninguém. Tem que conversar com os filhos porque o perigo está muito mais perto do que a gente imagina", pontuou.>
Ao finalizar, Gabriela deixou uma mensagem de acolhimento para adultos que, assim como ela, carregam essas feridas: "Não é sua culpa. Nunca foi. Você não está sozinha".>