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Ana Beatriz Sousa
Publicado em 13 de janeiro de 2026 às 16:40
Quem vê Danrlei Orrico dominando o palco com uma presença magnética, coreografias sensuais e uma voz que arrasta multidões, mal consegue enxergar o jovem tímido que habita por trás do nome artístico O Kannalha. Natural de Camaçari, o artista de 28 anos encontrou na persona do "Maridão" a chave para libertar sua criatividade. Hoje, ele não apenas venceu a própria timidez, como deu voz a um novo dialeto que tomou conta do Brasil.>
Se você andou pelas ruas de Salvador ou navegou pelas redes sociais nos últimos meses, certamente esbarrou em uma expressão que virou quase um decreto: o baiano tem o molho. O que começou como uma letra de pagodão, atravessou os limites da música para se tornar um estilo de vida, uma marca e o combustível do verão e da marca registrada do baiano. >
Em um bate-papo com o CORREIO, o artista, que é hoje está entre os destaques da música baiana, abriu o jogo sobre esse fenômeno. Para ele, o momento não é de "aposta", mas de colheita. “A gente trabalhou por bastante tempo essa ideia do molho, a gente comprou essa ideia e fomos pra cima”, conta Danrlei, refletindo sobre como um trabalho iniciado em 2025 explodiu com força total meses depois.>
Para Danrlei, ser um dos "pais" desse novo modo de expressão baiano é um título que ele carrega com honra, sentindo-se feliz por agregar valor ao mercado e à cultura da Bahia.>
O "molho" do Kannalha não está mais apenas no Spotify. Ele está nas camisas, nos bonés que os turistas levam como lembrança e até no vocabulário de outros artistas. “A gente se sente muito honrado de poder ter sido um dos pais para dar um pontapé inicial dessa ideia, desses novos dialetos, dessa nova maneira de expressão do baiano”, afirma o cantor, orgulhoso de ver a cultura local se fortalecendo.>
O cantor não deixou de comentar a expansão nacional de sua música. A crescimento foi tamanho que chegou ao cinema. Recentemente, edits (vídeos editados) de Wagner Moura ao som de "O Baiano Tem o Molho" dominaram a internet, unindo o talento do ator de Hollywood à batida envolvente do pagodão baiano. Danrlei explica que essa conexão não foi por acaso:>
“Eu fiz a música para mim, mas depois pensei: não, o protagonista não pode ser O Kannalha. Se fosse 'O Kannalha tem a senha', eu seria o centro. Mas como a ideia do molho veio para eu ser a cara da Bahia, e todo baiano é a cara da Bahia, decidi que o protagonista tinha que ser o povo", revela.>
Ao ver Wagner Moura, um dos maiores ícones do país, sendo emoldurado por seus versos, Danrlei sente que a missão foi cumprida. "O protagonismo baiano se tornou mais gigantesco ainda. Me sinto muito honrado por ver todo mundo cantando e se divertindo, trazendo esse tempero especial para a vida das pessoas.">
O Kanalha
Apesar do sucesso meteórico e das parcerias com nomes como Pabllo Vittar e Preta Gil, Danrlei mantém os pés no chão. Ele se descreve como um "pequeno portador" de um gênero gigante que é o pagodão. "Eu sei que hoje não sou mais qualquer um, mas sou apenas mais um perante o tamanho que a Bahia tem", diz, com uma humildade que contrasta com a potência de seus shows.>
Nos dias 15 e 29 de janeiro, a partir das 19h, o Centro Histórico recebe o "Ensaio do Maridão". No repertório, além do hino do molho, sucessos como “Nego Doce”, “Fraquinha” e “Final de Semana na Favela” prometem não deixar ninguém parado. "O verão no Pelô tem dendê, tem suor e tem muito molho", convida o artista.>
Serviço: Ensaio do Maridão>
Atração: O Kannalha>
Datas: 15 e 29 de janeiro (quartas-feiras)>
Horário: 19h>
Local: Praça das Artes – Neguinho do Samba (Pelourinho)>
Ingressos: R$ 88 a R$ 244 (Site Meu Bilhete)>