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Ana Beatriz Sousa
Publicado em 7 de janeiro de 2026 às 09:11
O cinema mundial perdeu na terça-feira (6) um de seus nomes mais singulares. Béla Tarr, cineasta húngaro responsável por obras como 'Sátántangó' e 'O Cavalo de Turim', morreu aos 70 anos, após enfrentar uma longa e grave doença. A informação foi confirmada pela Academia Europeia de Cinema, instituição da qual ele fazia parte. >
Em nota oficial, a entidade lamentou a morte do diretor e destacou sua importância artística e política. "Perdemos um realizador excepcional, dono de uma voz forte e profundamente respeitado por seus pares e pelo público ao redor do mundo", afirmou a Academia, que também pediu respeito ao luto da família.>
Para quem já se aventurou em seus filmes, Béla Tarr nunca foi um diretor fácil. Seu cinema recusava pressa, apostava em longos planos-sequência, diálogos mínimos e imagens em preto e branco carregadas de silêncio, desgaste e humanidade. Ainda assim, ou justamente por isso, tornou-se uma referência absoluta do chamado "cinema lento".>
Sua filmografia mergulhava em temas como desesperança, colapso social e decadência moral, sempre com uma estética rigorosa e austera. Tarr não buscava agradar: buscava provocar, incomodar e fazer o espectador permanecer.>
Bela Tárr, cineasta húngaro
Nascido em Pécs, na Hungria, em 1955, Béla Tarr iniciou sua trajetória no estúdio experimental Balázs Béla, onde já demonstrava interesse por histórias realistas e politicamente engajadas. Nos anos seguintes, dirigiu títulos como Family Nest, Almanac of Fall e Damnation, que pavimentaram seu caminho até o reconhecimento internacional.>
Esse reconhecimento veio de forma definitiva em 1994, com 'Sátántangó'. Inspirado no romance homônimo do escritor László Krasznahorkai, o filme, com mais de sete horas de duração, tornou-se um marco do cinema contemporâneo. Mesmo desafiador, passou a ser constantemente citado como uma das obras mais importantes dos anos 1990.>
A parceria entre Tarr e Krasznahorkai se tornaria uma das mais emblemáticas do cinema europeu, repetida em filmes como 'Harmonias de Werckmeister' (2000), uma alegoria poderosa sobre caos, manipulação e ruína coletiva no Leste Europeu pós-comunismo.>
Filmes com reviravoltas para explodir a cabeça
Seu último longa-metragem, 'O Cavalo de Turim' (2011), é frequentemente apontado como o ápice de sua obra, e também o mais sombrio. Inspirado na lenda do colapso mental de Friedrich Nietzsche, o filme acompanha a rotina exaustiva e silenciosa de um homem e sua filha diante de um mundo que parece se esgotar pouco a pouco.>
A produção foi amplamente aclamada e venceu o Grande Prêmio do Júri no Festival de Berlim. Pouco depois da estreia, Béla Tarr anunciou sua aposentadoria do cinema, afirmando que já havia dito tudo o que precisava por meio de imagens.>
Após deixar a direção, Tarr mudou-se para Sarajevo, onde fundou a escola film.factory, dedicada à formação de novos cineastas interessados em um cinema autoral, livre de fórmulas e concessões comerciais.>