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Fernanda Varela
Publicado em 18 de janeiro de 2026 às 07:00
A morte do deputado estadual e presidente da Câmara de Salvador, Alan Sanches, causada por um infarto fulminante, trouxe à tona dúvidas frequentes sobre sinais de alerta, fatores de risco e se é possível identificar o problema antes que ele aconteça. Ele, que também era médico, tinha 58 anos e esteve na Lavagem do Bonfim dois dias antes de falecer.>
O infarto fulminante é caracterizado pela interrupção súbita e completa do fluxo de sangue para o coração, geralmente provocada pela obstrução total de uma artéria coronária. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), esse bloqueio pode levar a arritmias graves ou à falência imediata do músculo cardíaco, com evolução muito rápida e alto risco de morte.>
O que você precisa saber sobre infarto
É possível saber antes?>
Não existe exame capaz de prever exatamente quando um infarto vai acontecer. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia, a maioria dos casos está associada a fatores de risco já conhecidos, como hipertensão arterial, colesterol elevado, diabetes, tabagismo, obesidade, sedentarismo e histórico familiar de doença cardiovascular.>
Segundo André Rodrigues Durães, cardiologista e pesquisador da Universidade Federal da Bahia (Ufba), esses fatores de risco são determinantes na probabilidade de um evento cardíaco. “O controle médico regular, com exames e acompanhamento das condições crônicas, ajuda a reduzir as chances de um infarto, mesmo que não exista uma forma de prever exatamente quando ele vai ocorrer”, disse Durães em entrevista a órgãos de saúde e especialistas brasileiros que participam de estudos epidemiológicos nacionais.>
O Ministério da Saúde reforça que essas condições podem estar presentes de forma silenciosa por anos, sem sintomas evidentes, o que dificulta a identificação do risco em parte da população.>
Há sinais prévios?>
Especialistas explicam que, em alguns casos, sintomas podem surgir dias, semanas ou até meses antes do infarto. Esses sinais, no entanto, nem sempre são reconhecidos como problemas cardíacos.>
Entre os sintomas mais comuns estão dor ou sensação de aperto no peito, que pode irradiar para o braço esquerdo, costas, pescoço ou mandíbula, falta de ar, cansaço excessivo, suor frio, náusea, tontura e mal-estar persistente. As informações constam em materiais educativos do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Cardiologia.>
“O infarto pode causar dor no peito, mas também pode se manifestar como cansaço excessivo, falta de ar ou desconforto em outras partes do corpo antes do evento principal. Esses sinais nem sempre são reconhecidos pelo paciente, por isso procurar um médico quando eles surgem é importante”, afirmou Dr. Roberto Kalil Filho, cardiologista e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e diretor clínico do InCor, em entrevista ao programa CNN Sinais Vitais da CNN Brasil.>
A SBC também alerta que até um quarto dos infartos pode ocorrer sem a dor torácica clássica, especialmente em mulheres, idosos e pessoas com diabetes. Nesses casos, os sintomas podem ser mais discretos, como desconforto no peito, indigestão frequente, fadiga fora do padrão habitual e sensação de ansiedade sem causa aparente.>
Infarto fulminante tem prevenção?>
Segundo cardiologistas e diretrizes médicas, não é possível eliminar completamente o risco de um infarto, inclusive dos casos considerados fulminantes. Ainda assim, a prevenção reduz de forma significativa as chances de ocorrência.>
O controle da pressão arterial, do colesterol e da glicemia, a prática regular de atividade física, uma alimentação equilibrada e a interrupção do tabagismo são medidas apontadas como essenciais tanto pelo Ministério da Saúde quanto pela Sociedade Brasileira de Cardiologia.>
Consultas médicas regulares e exames de rotina ajudam a identificar alterações silenciosas, como placas de gordura nas artérias coronárias, antes que elas evoluam para uma obstrução completa.>
Por que alguns infartos são tão rápidos?>
De acordo com explicações da cardiologia, nos casos classificados como fulminantes, a obstrução da artéria ocorre de forma abrupta e total, muitas vezes associada a arritmias fatais. Mesmo pessoas sem sintomas evidentes podem apresentar placas instáveis nas artérias, que se rompem de maneira inesperada.>
Nessas situações, o fator tempo é determinante. A Sociedade Brasileira de Cardiologia destaca que a chance de sobrevivência depende de atendimento imediato, algo que nem sempre é possível quando o quadro se instala de forma súbita.>
Quando procurar atendimento>
O Ministério da Saúde orienta que qualquer dor no peito persistente, associada ou não a outros sintomas, deve ser tratada como emergência. A recomendação é procurar atendimento médico imediato, já que a rapidez no socorro pode reduzir danos e salvar vidas.>